29/Apr/2026
No mercado interno de soja, os preços registraram leve alta entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por saca de 60 Kg em algumas regiões nesta terça-feira (28/04). Em outras regiões, os preços permaneceram estáveis. O dólar encerrou a sessão desta terça-feira (28/04) praticamente estável no mercado doméstico, cotado a R$ 4,98, com leve alta de 0,01%. A moeda perdeu força, em meio à retomada do fluxo para divisas latino-americanas e à atuação de exportadores, que aproveitaram níveis mais elevados para internalizar recursos.
O Real segue sustentado pela melhora dos termos de troca e pelo diferencial de juros, que mantém atratividade para operações de carry trade. No acumulado de abril, a moeda norte-americana registra queda de 3,79%, ampliando as perdas no ano para 9,32%. O desempenho coloca o Real entre as moedas com melhor performance em 2026, tanto entre emergentes quanto entre divisas fortes. No cenário doméstico, a expectativa é de novo ajuste na taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária, com corte de 0,25%, para 14,50%, mantendo, contudo, postura cautelosa na condução da política monetária.
A prévia da inflação oficial, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicou alta de 0,89% em abril, com composição qualitativa considerada desfavorável, o que reforça a necessidade de prudência na flexibilização dos juros. No exterior, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve manter a taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, em meio a preocupações com os efeitos inflacionários da alta do petróleo. Os preços do petróleo permaneceram elevados, com o Brent avançando para US$ 104,40 por barril, influenciado pelas tensões no Oriente Médio e restrições no Estreito de Ormuz, fator que segue impactando os mercados globais.
Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago operaram sob pressão nesta terça-feira (28/04), influenciados pelo avanço acelerado do plantio nos Estados Unidos e pela elevada oferta da América do Sul. O próximo fator determinante para a direção das cotações está relacionado à entrada da China nas compras da nova safra norte-americana. O contrato julho recuou 1,00 cent por bushel, e fechou a US$ 11,78 por bushel, enquanto o contrato novembro, referência para a nova safra, avançou 1,25 cent por bushel, para US$ 11,67 por bushel. A demanda chinesa pela safra velha dos Estados Unidos está praticamente encerrada, com compras próximas de 12 milhões de toneladas no atual ano comercial, grande parte já embarcada.
Com isso, o foco do mercado migra para possíveis aquisições da nova safra. Do lado da oferta, o plantio nos Estados Unidos atingiu 23% da área até o dia 26 de abril, o que reforça a perspectiva de uma safra elevada caso as condições climáticas permaneçam favoráveis. No Brasil, a colheita alcança 92,1% da área, mantendo elevada a disponibilidade de produto no mercado internacional. Fatores externos têm limitado perdas mais intensas. O petróleo WTI opera próximo de US$ 100,00 por barril, em meio a tensões geopolíticas e restrições logísticas no Estreito de Ormuz, o que impacta custos energéticos e insumos agrícolas. No mercado de fertilizantes, interrupções nas exportações e na produção, especialmente de ureia, mantêm os preços acima de US$ 650,00 por tonelada.
Em São Paulo, no Porto de Santos, as indicações para exportação com entrega e pagamento em maio variam entre R$ 127,50 e R$ 128,00 por saca de 60 Kg CIF, podendo subir para R$ 129,00 por saca de 60 Kg CIF em caso de pagamentos mais longos. Para safra 2026/2027, tradings indicam R$ 131,50 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em fevereiro de 2027. Em Mato Grosso, na região de Rondonópolis, a indicação de compra está entre R$ 112,00 e R$ 113,00 por saca de 60 Kg FOB. Na região de Itiquira, os compradores indicam R$ 110,00 por saca de 60 Kg FOB. Na região de Primavera do Leste, a indicação é de R$ 108,50 por saca de 60 Kg FOB, para pagamento em 29 de maio. Para a safra 2026/27, tradings indicam entre US$ 21,00 e US$ 21,20 por saca de 60 Kg FOB, ou o equivalente a R$ 114,00 por saca de 60 Kg FOB, para liquidação em março de 2027.
Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.