30/Apr/2026
A Associação Americana de Soja (ASA) alertou para o risco de que novas ações tarifárias nos Estados Unidos possam comprometer as exportações do grão, em meio a discussões conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (EUDR) no âmbito da Seção 301, mecanismo que permite investigação e retaliação a práticas comerciais consideradas injustas. O setor destaca que a soja é o principal produto da pauta de exportação agrícola dos Estados Unidos, com embarques de 68,7 milhões de toneladas no ano comercial 2024/25, movimentando US$ 29,6 bilhões e representando 58% da produção total. A dependência do mercado chinês é considerada estrutural, com mais da metade das exportações historicamente direcionadas ao país asiático.
O segmento manifesta preocupação de que novas investigações comerciais possam desencadear medidas retaliatórias adicionais, ampliando tarifas já existentes. Em episódios anteriores, ações semelhantes resultaram em queda de 76% no valor das exportações para a China entre 2017 e 2018, além da imposição de tarifa adicional de 25% sobre o grão norte-americano. Atualmente, a soja dos Estados Unidos enfrenta tarifa retaliatória de 10% no mercado chinês, reduzindo competitividade frente a fornecedores da América do Sul. No ambiente doméstico, a rentabilidade dos produtores segue pressionada por custos elevados de produção e dependência de insumos importados. O setor agrícola norte-americano importa cerca de US$ 33 bilhões anuais em fertilizantes, defensivos e sementes. As tarifas sobre esses insumos atingiram média de 12,2%, ante nível inferior a 1% anteriormente, com destaque para defensivos agrícolas, que chegam a taxas efetivas próximas de 25%.
O cenário de oferta também é influenciado por instabilidades geopolíticas no Golfo Pérsico, com impactos sobre o fornecimento de fertilizantes e combustíveis, especialmente ureia e amônia oriundas de países do Oriente Médio, afetando a cadeia global de suprimentos. Diante desse contexto, entidades do setor recomendam a exclusão de insumos agrícolas essenciais de eventuais sanções comerciais e a preservação dos fluxos de comércio na América do Norte sob o acordo USMCA. O segmento também aponta aumento de 55% nos registros de falências de produtores enquadrados em reestruturação de dívidas em 2024, reforçando a fragilidade financeira do setor frente a novos choques comerciais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.