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30/Apr/2026

EUA: cotações do farelo de soja estão sustentadas

Segundo a StoneX, a rejeição pela União Europeia de carregamentos de farelo de soja da Argentina e do Brasil por suspeita de presença do gene transgênico HB4, não autorizado no bloco, deslocou parte da demanda europeia para os Estados Unidos e ajudou a sustentar as cotações, em um mercado já apoiado pela expectativa de recomposição do fluxo comercial com a China. O sistema europeu de alerta rápido para alimentos e rações (RASFF) registrou quatro notificações envolvendo farelo de soja argentino e duas referentes ao produto brasileiro, com suspeita de presença do HB4, evento transgênico desenvolvido pela empresa argentina Bioceres que é permitido no Brasil e na Argentina, mas proibido no bloco europeu. Parte das cargas foi retirada do mercado.

O mercado norte-americano interpretou o movimento como sinal de redução temporária das compras sul-americanas pelo bloco, com redirecionamento da demanda para a origem norte-americana. O caso é classificado como pontual, ligado à metodologia de testagem, e sem impacto estrutural de longo prazo. A contestação tem respaldo institucional no Brasil: a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) informou que o Ministério da Agricultura, a seu pedido, questionou formalmente as autoridades europeias sobre a metodologia dos testes, mas ainda não obteve resposta. O movimento ocorre em um momento em que o plantio nos Estados Unidos avança em ritmo acelerado. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 23% da área de soja já foi semeada, acima da média de cinco anos, de 12%, em antecipação às chuvas previstas para as próximas semanas.

O plantio está muito rápido e isso alimenta o debate de que o produtor pode estar migrando área do milho para a soja. Porém, a definição da área ainda é incerta. Custos de produção e condições climáticas devem definir o comportamento final nas próximas semanas. Além do fator europeu, o mercado acompanha a expectativa em torno de um possível encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, previsto para meados de maio. Um eventual acordo pode destravar novas compras chinesas de soja norte-americana e reforçar o suporte às cotações. Se houver acordo, isso pode significar mais exportações para a China. No lado doméstico, a demanda por biodiesel também segue como elemento de sustentação, contribuindo para o consumo interno e reforçando o viés firme do mercado.

No milho, o cenário também apresenta suporte, com influência do mercado de energia e preocupações com a safra brasileira. A 2ª safra de 2026 no Brasil atravessa fase crítica sob tempo quente e seco. Se não houver chuva nas próximas duas semanas, pode haver cortes de 5 a 6 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, o plantio de milho alcança 25% da área, acima da média histórica de 19%, refletindo o esforço dos produtores para avançar nos trabalhos antes das chuvas. Ainda assim, o mercado monitora dúvidas sobre a área final, diante do aumento dos custos com fertilizantes e combustível, que podem favorecer a migração para a soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.