30/Apr/2026
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmou nesta quarta-feira (29/04) que as notificações feitas neste ano pelo sistema europeu de alertas sobre alimentos e rações a respeito do farelo de soja brasileiro dizem respeito a embarques realizados em 2025, e não a cargas recentes. Os alertas, até agora restritos à Holanda, não provam que o evento transgênico HB4, proibido na União Europeia, estava de fato presente nas remessas brasileiras. Não se trata de carregamentos recentes, mas de embarques realizados em 2025 que vieram a ser objeto de notificações neste ano. O caso veio a público após a agência Reuters informar que o sistema de alerta rápido da Comissão Europeia, conhecido pela sigla RASFF, registrou neste ano duas notificações envolvendo farelo de soja do Brasil e quatro da Argentina. Os alertas apontavam suspeita de presença do gene HB4, transgênico desenvolvido pela empresa argentina Bioceres que é permitido no Brasil e na Argentina, mas proibido no bloco europeu.
Em alguns casos, as cargas foram retiradas do mercado. A Holanda, principal porta de entrada de produtos para ração animal na União Europeia, foi o país que acionou os registros. A Anec contestou a validade dos alertas em dois pontos. Primeiro, informou que o Ministério da Agricultura (Mapa), a seu pedido, já questionou formalmente as autoridades europeias sobre a metodologia usada nos testes, mas ainda não obteve resposta. Segundo, destacou que o gene HB4 nunca foi plantado comercialmente no Brasil e que os testes feitos pelas exportadoras antes dos embarques não apontaram sua presença nas cargas. O Mapa formalizou dúvidas sobre a metodologia utilizada junto às autoridades europeias, mas até o momento não houve resposta. Além disso, não houve plantio comercial desse evento no Brasil e os testes conduzidos pelas empresas antes dos embarques não indicaram sua presença nas cargas de farelo.
A contestação à metodologia europeia não é nova. Na terça-feira (28/05), o jornal argentino La Nación reportou que um documento do Ministério da Agricultura do Brasil levantou a possibilidade de falsos positivos nos testes realizados na Europa, argumentando que confirmar a presença do HB4 exigiria um método analítico específico e validado, que o setor diz não estar disponível nem reconhecido oficialmente no bloco. A Argentina seguiu o mesmo caminho: a Câmara de Esmagadores e Exportadores do país afirmou acreditar que os testes geraram resultados equivocados. Não é o método patenteado pela Bioceres e, portanto, pode gerar o que chamamos de falsos positivos, ou seja, detecções errôneas. A União Europeia importou 9,9 milhões de toneladas de farelo de soja do Brasil em 2024/25, volume que colocou o País na liderança entre os fornecedores do bloco, à frente da Argentina, com 6,9 milhões de toneladas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.