08/May/2026
De acordo com dados de relatório divulgado nesta quinta-feira (07/05) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a cadeia produtiva da soja e do biodiesel produziu e processou mais em 2025, mas ganhou menos. O PIB em volume cresceu 11,72%, para R$ 691,9 bilhões, enquanto a renda real caiu 0,55%, porque os preços dos produtos da cadeia produtiva recuaram mais do que o avanço físico. É o quinto maior avanço da série histórica desde 2010 em termos de PIB. O principal impulso veio da produção de soja no campo. O PIB-volume do segmento subiu 23,41%, reflexo da safra recorde de 171,5 milhões de toneladas em 2024/25, favorecido por aumento de área, ganho de produtividade e clima.
O resultado também incorpora base de comparação mais fraca, depois da quebra da safra anterior. Parte desse crescimento muito expressivo, 23,4%, é também recuperação da safra. A agroindústria avançou 5,21% em volume. O esmagamento e refino cresceu 5,15%, sustentado pela disponibilidade de grão e pela demanda por derivados. O biodiesel subiu 8,51%, impulsionado pela elevação da mistura obrigatória no diesel de 14% para 15% a partir de 1º de agosto de 2025. As rações subiram 2,80%, com apoio das vendas ao setor de aves. O problema veio dos preços. Os preços relativos da cadeia, que medem o quanto os produtos do setor se valorizaram em relação à média da economia, recuaram 10,98% em 2025. É essa queda que explica a renda menor, mesmo com volume maior: a cadeia vendeu mais, mas a preços piores.
No caso da soja, o grão ficou praticamente no mesmo nível nominal de 2024, mas os custos de produção, com destaque para fertilizantes e defensivos, subiram, corroendo a margem dos produtores. Na agroindústria, o farelo concentrou a piora. As cotações do produto ficaram nos menores níveis em 14 anos, pressionadas pelo aumento da oferta em cenário de esmagamento recorde no Brasil e no mundo e por mudanças nas retenções argentinas. Rações também cederam. Do lado positivo, o óleo de soja acumulou alta de 17,9% no ano, apoiado pela demanda global para biodiesel, e o biocombustível também se valorizou. Com esse quadro, 2025 foi o quarto ano consecutivo de queda da renda real da cadeia, depois dos recordes de 2020 e 2021. Não que tenha sido um ano ruim, mas teve uma piora em relação a 2024.
O PIB-renda de R$ 691,9 bilhões ficou 68% acima do registrado em 2018, de R$ 412,2 bilhões, que era o maior nível observado antes da pandemia. A cadeia respondeu por 21,6% do PIB do agronegócio e por 5,4% do PIB brasileiro em 2025. Os agrosserviços representaram a maior fatia da renda, com R$ 392,1 bilhões. A soja gerou R$ 176,7 bilhões, a agroindústria R$ 87,7 bilhões e os insumos R$ 35,4 bilhões. As exportações cresceram em volume, mas recuaram em receita. Os embarques somaram 133,72 milhões de toneladas, alta de 7,75% ante 2024. O valor exportado cedeu 1,46%, para US$ 53,46 bilhões, refletindo queda de 8,54% nos preços médios. A China seguiu como principal destino, enquanto avançaram os embarques para União Europeia, Sudeste Asiático e Índia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.