15/Jun/2026
A ausência da China nas compras antecipadas de soja da nova safra dos Estados Unidos continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago. Segundo a Standard Grain, o atual cenário de desenvolvimento favorável das lavouras norte-americanas reduz a urgência de aquisição por parte dos importadores chineses e amplia a possibilidade de novas quedas nas cotações. A avaliação é que a china possui poucos incentivos para acelerar compras neste momento, especialmente diante da entrada do mercado no período de pressão sazonal e da ausência de ameaças significativas à produção norte-americana. Com isso, compradores chineses tendem a adotar uma postura mais cautelosa, aguardando preços potencialmente mais baixos nos próximos meses. A expectativa é que, caso não ocorram problemas climáticos relevantes nos Estados Unidos, as compras de soja, milho, trigo e sorgo possam ser concentradas mais adiante, possivelmente em meados de agosto, período historicamente associado a maior pressão sobre os preços.
Esse comportamento mantém o mercado de soja sob influência baixista justamente em um momento em que o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe poucas alterações relevantes para os fundamentos da commodity. Apesar do cenário de pressão, a soja apresenta uma estrutura técnica considerada mais resiliente do que a observada no milho. O contrato com vencimento em novembro encontra suporte próximo de US$ 11,30 por bushel, nível associado às máximas registradas no ano anterior. Ainda assim, a tendência predominante permanece de enfraquecimento das cotações ao longo do fim de junho e durante julho, diante da ausência de um fator capaz de impulsionar a demanda ou gerar preocupações com a produção. Os dados mais recentes de exportação reforçam essa leitura. As vendas líquidas de soja dos Estados Unidos totalizaram 8 milhões de bushels na semana encerrada em 4 de junho, volume próximo ao limite inferior das expectativas do mercado.
O resultado representa queda de 24% em relação à semana anterior e recuo de 18% frente à média das quatro semanas anteriores. O Egito foi o principal comprador no período, enquanto a China permaneceu ausente entre os destinos da soja norte-americana. No mercado de milho, a pressão é ainda mais intensa. Os contratos renovaram mínimas recentes, refletindo condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, preços mais baixos da energia e percepção de ampla disponibilidade global de oferta. Nesse contexto, uma eventual retomada das compras chinesas poderia contribuir para melhorar o sentimento do mercado e oferecer sustentação às cotações. Embora existam áreas do Corn Belt norte-americano afetadas por excesso de chuvas, encharcamento dos solos e sinais de amarelecimento das lavouras, especialmente em partes de Iowa e do leste da região produtora, o mercado ainda não considera essas condições suficientes para comprometer significativamente a produtividade. Ao mesmo tempo, o monitor de seca dos Estados Unidos apontou melhora em importantes áreas produtoras de Illinois, Iowa, Missouri e Kentucky.
Atualmente, 24% das áreas cultivadas com milho e 25% das áreas de soja dos Estados Unidos apresentam algum grau de seca. Apesar disso, a percepção predominante entre os participantes do mercado é que o quadro climático ainda não justifica a incorporação de prêmios de risco relacionados a perdas produtivas relevantes. O relatório Wasde do USDA teve impacto limitado sobre as negociações ao apresentar poucas mudanças nos balanços de oferta e demanda. Para a soja, houve redução da projeção de exportações norte-americanas e aumento da estimativa de esmagamento. No milho, a principal alteração foi uma elevação modesta das exportações da safra velha. Na América do Sul, o USDA elevou as estimativas de produção de soja da Argentina e de milho do Brasil e da Argentina. O aumento da oferta sul-americana reforça a competitividade desses países no mercado internacional e amplia a concorrência sobre os embarques norte-americanos, fator que continua limitando o potencial de recuperação das cotações na Bolsa de Chicago. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.