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15/Jun/2026

EUA: esmagamento compensa fracas exportações

O mercado de soja dos Estados Unidos encontrou sustentação na forte demanda da indústria de processamento após a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo análise da StoneX, o principal fator de suporte para os preços não está nas exportações, mas no avanço do esmagamento doméstico, impulsionado pelas elevadas margens do setor. O USDA reduziu sua projeção de exportações de soja da safra corrente. Em contrapartida, elevou em igual volume a estimativa de esmagamento. Esse ajuste foi coerente com a realidade do mercado, diante da forte rentabilidade das indústrias processadoras norte-americanas.

As margens de esmagamento seguem em níveis historicamente atrativos, chegando em alguns momentos próximos de US$ 4,00 por bushel. O cenário é favorecido principalmente pelos programas de incentivo aos biocombustíveis nos Estados Unidos, que ampliam a demanda por óleo de soja e estimulam o processamento da oleaginosa. O esmagamento ainda pode crescer nos próximos meses, reforçando a demanda interna. Apesar disso, não há preocupação com escassez de matéria-prima antes da próxima colheita, uma vez que os estoques seguem suficientes para abastecer a indústria. O relatório Wasde de junho trouxe poucas alterações relevantes para o mercado.

Historicamente, o USDA costuma promover ajustes mais significativos de produtividade apenas a partir de agosto, quando incorpora levantamentos de campo mais detalhados e informações obtidas por sensoriamento remoto. Como não existem, até o momento, problemas climáticos expressivos nas lavouras norte-americanas, o relatório não apresentou elementos capazes de alterar substancialmente a percepção dos investidores. No milho, o cenário permanece mais pressionado. O USDA reduziu a projeção de consumo para produção de etanol, refletindo ganhos de eficiência das usinas, e compensou o ajuste com aumento equivalente nas exportações.

Ainda assim, o mercado precisou absorver uma expansão de 14 milhões de toneladas na oferta global do cereal. O aumento da disponibilidade mundial foi impulsionado por revisões positivas para Argentina, Brasil e Índia. A produção brasileira foi elevada para 138 milhões de toneladas, enquanto a Índia ampliou sua participação no mercado em função do crescimento da produção destinada à fabricação de etanol. O avanço do programa indiano de mistura de combustíveis e o subsídio aos fertilizantes contribuem para sustentar a expansão da produção local. No mercado futuro, a faixa de US$ 4,40 por bushel no contrato dezembro do milho segue sendo observada como importante nível de suporte técnico.

A manutenção desse patamar pode estimular novas compras por parte de consumidores e investidores, enquanto uma eventual ruptura poderá abrir espaço para novas pressões baixistas. Além dos fundamentos agrícolas, o mercado continua acompanhando os desdobramentos das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã. A possível normalização do fluxo de cargas pelo Estreito de Ormuz é considerada relevante para os mercados de energia e fertilizantes, embora uma recuperação completa da logística e da oferta global desses insumos possa demandar um período prolongado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.