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15/Jun/2026

Preços da soja avançam no mercado doméstico

As negociações de soja em grão seguem aquecidas no mercado brasileiro. Além da demanda externa, indústrias nacionais intensificaram as aquisições nos últimos dias. A maior atratividade da soja brasileira também é impulsionada pela depreciação do Real frente ao dólar. Por outro lado, a ampla oferta global limitou avanços mais expressivos nos preços. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 1,4%, cotado a R$ 131,78 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 1,4% nos últimos sete dias, a R$ 125,73 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços têm alta de 0,4% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 1% no mercado de lotes (negociações entre empresas).

Entre os derivados, o preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra alta de 0,9% nos últimos sete dias, para R$ 6.614,67 por tonelada, sustentado pelo bom desempenho das exportações e pela firme demanda doméstica. O valor do farelo apresenta recuo de 0,8% no mesmo comparativo. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reajustou a estimativa de produção mundial de soja da safra 2025/26 para o recorde de 429,2 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao projetado anteriormente e 0,3% acima da temporada passada. Dentre os principais produtores, o Brasil deve colher 180 milhões de toneladas, abaixo das 180,25 milhões estimadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na Argentina, a projeção foi elevada para 50 milhões de toneladas, 4,2% acima da estimativa de maio, embora ainda 2,2% inferior ao volume produzido na safra anterior.

O Brasil segue como o principal exportador mundial de soja na safra 2025/26 (de out/25 a set/26), com embarques estimados pelo USDA em 115 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, as exportações foram revisadas para 41,1 milhões de toneladas na temporada 2025/26 (de set/25 a ago/26), quedas de 1,3% frente à projeção de maio e de 19,8% em relação à safra passada. Esse cenário pressionou os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago. Considerando-se o contrato Jul/26, a soja registra desvalorização de 1,2% nos últimos sete dias, o farelo, 3,8% e o óleo, 2,4%. Por outro lado, a elevação do esmagamento nos Estados Unidos compensou parcialmente a redução das exportações e limitou as perdas. Segundo o USDA, o processamento norte-americano deve atingir o recorde de 72,12 milhões de toneladas na safra 2025/26 (até agosto deste ano), volume 0,7% superior ao projetado em maio e 8,4% acima do registrado na temporada anterior.

Na Argentina, o esmagamento foi reajustado para 42 milhões de toneladas (de out/25 a set/26), 1,2% acima da estimativa de maio, mas ainda 2,9% abaixo da safra passada. Para o Brasil, a projeção permanece no recorde de 61,5 milhões de toneladas, considerando-se o mesmo período. O consumo global de farelo e óleo de soja segue em expansão, com projeção de 286,35 milhões de toneladas de farelo e 71,16 milhões de toneladas de óleo na safra 2025/26, segundo o USDA. No Brasil, o setor de biodiesel deve adquirir 7 milhões de toneladas de óleo de soja, aumento de 9,4% em relação à safra passada, enquanto o setor alimentício deve consumir 4,05 milhões de toneladas, avanço de 1%. As exportações brasileiras de óleo estão estimadas em 1,6 milhão de toneladas, 7,6% acima da temporada 2024/25 e o maior volume desde 2022/23. Para o farelo, o USDA mantém projeções recordes de consumo interno, de 21,8 milhões de toneladas, e de exportações, de 25 milhões de toneladas, com crescimentos de 6,34% e 6,88%, respectivamente, frente à temporada anterior.

O avanço da demanda externa pelos derivados brasileiros está relacionado às reduções das exportações argentinas (estimadas em 9,1% para o óleo e em 2,6% para o farelo). Segundo o USDA, a Argentina deve embarcar 6,45 milhões de toneladas de óleo e 29 milhões de toneladas de farelo (de out/25 a set/26). O consumo interno do país permanece estável, em 3,6 milhões de toneladas de farelo e 1,98 milhão de toneladas de óleo, deste último derivado, 70,7% são destinados ao setor industrial. Para os Estados Unidos, o USDA projeta aumento de 23,7% no consumo de óleo de soja destinado ao biodiesel, para 6,6 milhões de toneladas (de set/25 a ago/26). Ainda assim, o setor alimentício segue como principal consumidor, com 7,02 milhões de toneladas, avanço de 2,3% em relação à safra anterior.

Para o farelo, o consumo foi reajustado para o recorde de 39,75 milhões de toneladas, volume 0,57% superior ao projetado em maio e 6,8% acima do da safra passada. As exportações norte-americanas de farelo de soja também foram revisadas para cima, para 18,14 milhões de toneladas, 1% acima da projeção de maio e 9,5% superiores às da temporada anterior. Na Índia, o consumo de óleo de soja é estimado pelo USDA em 6,59 milhões de toneladas na temporada 2025/26 (de out/25 a set/26), 0,83% abaixo do da safra passada. Somado ao estoque final recorde na safra anterior de 1,58 milhão de toneladas, esse cenário deve resultar em queda expressiva de 18,6% nas importações indianas do derivado nesta temporada. Na União Europeia, principal importadora mundial de farelo de soja, o consumo do derivado deve recuar 1% na safra 2025/26 (de out/25 a set/26). Com isso, as importações do bloco são projetadas em 19,6 milhões de toneladas, volume 4,9% inferior ao da temporada passada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.