23/Jun/2026
A primeira compra confirmada pela China de soja dos Estados Unidos da safra 2026/27 foi considerada positiva, mas ainda não caracteriza um programa consistente de aquisições capaz de atingir o volume de 25 milhões de toneladas anunciado pelo governo norte-americano. Avaliações de analistas indicam que tarifas chinesas reduzem a competitividade da soja dos Estados Unidos para processadores privados, ao mesmo tempo em que reforçam a hipótese de que parte das operações possa ter sido conduzida por estatais por motivações não estritamente comerciais. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a venda de 131 mil toneladas para a China. Exportadores norte-americanos também registraram operações adicionais de aproximadamente 120 mil toneladas, com destinos não divulgados, com possibilidade de inclusão de compradores chineses.
Em paralelo, o governo dos Estados Unidos indicou a expectativa de compras chinesas de 25 milhões de toneladas da nova safra, embora sem formalização pública por parte da China. O cenário é interpretado como um acordo ainda sem mecanismo vinculante, com histórico recente de execução parcial e atrasos em volumes previamente anunciados. Na safra anterior, a China teria adquirido cerca de 12 milhões de toneladas, ainda que parte das operações tenha ocorrido fora do cronograma inicialmente projetado. Esse comportamento reforça a percepção de que as aquisições podem responder também a fatores políticos, diante da manutenção de tarifas e da competitividade inferior do produto norte-americano frente ao brasileiro. O ambiente de esmagamento na China também adiciona pressão ao quadro, com margens negativas em diversas províncias e níveis abaixo das mínimas observadas em 2025.
Esse cenário levanta dúvidas sobre a capacidade de sustentação da demanda industrial, especialmente no farelo de soja, em um contexto de ajuste do rebanho de matrizes suínas e de estratégia de maior autossuficiência do país até 2030. A reconfiguração do fluxo global de soja favorece a América do Sul, com aumento da participação do Brasil nas exportações e ampliação da janela de embarques, reduzindo a dependência da China em relação ao produto dos Estados Unidos. As exportações brasileiras seguem em ritmo próximo de 11 milhões de toneladas no período analisado, praticamente estáveis em relação ao ano anterior, mesmo com safra maior, sustentando competitividade no mercado internacional. Projeções indicam que o Brasil deve manter forte presença no segundo semestre, disputando diretamente com a origem norte-americana durante o pico sazonal de exportações.
Ao mesmo tempo, fatores como juros elevados, restrição de crédito e custos de fertilizantes podem limitar a expansão da área no curto prazo, embora a tendência estrutural siga apontando para crescimento da produção sul-americana. Nos Estados Unidos, estratégias de mitigação de perda de mercado incluem maior direcionamento da soja para esmagamento e aumento do uso de óleo de soja em biodiesel e diesel renovável. Contudo, a capacidade industrial já opera próxima do limite há mais de um ano, enquanto a expansão de novas plantas exige prazo elevado de maturação. O mercado segue atento aos próximos indicadores do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), com divulgação prevista de área plantada e estoques trimestrais em 30 de junho. A expectativa é de aumento de área destinada à soja, fator potencialmente baixista, embora novas compras chinesas possam reduzir pressão sobre os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.