23/Jun/2026
O Brasil ainda dispõe de aproximadamente 55 milhões de toneladas de soja para comercialização, cenário que tende a intensificar a concorrência no mercado internacional durante o último trimestre de 2026. Segundo análise da Stag Securities, a ampla disponibilidade da oleaginosa reduz a necessidade imediata de compras chinesas de soja norte-americana e pode ampliar a pressão sobre prêmios de exportação e contratos futuros. Os produtores brasileiros já comercializaram entre 68% e 71% da safra 2025/26, embora o ritmo varie entre as regiões. Em Mato Grosso, as vendas alcançam aproximadamente 85% da produção, enquanto no Paraná o percentual está próximo de 65%. Entre outubro e janeiro, a indústria nacional de processamento deverá absorver entre 22 milhões e 25 milhões de toneladas adicionais. Ainda assim, um volume entre 28 milhões e 30 milhões de toneladas precisará ser direcionado ao mercado externo, período que coincide com o pico tradicional das exportações norte-americanas.
A elevada disponibilidade do produto ajuda a explicar os preços historicamente baixos observados em diversas regiões produtoras do Brasil. Com uma safra recorde, produtores e detentores de estoques seguem ofertando volumes significativos ao mercado, ampliando a competição entre origens exportadoras. Nesse contexto, a China não enfrenta necessidade urgente de assegurar grandes volumes de soja dos Estados Unidos, especialmente enquanto a oferta brasileira permanecer abundante, competitiva e disponível. Em anos considerados normais, os compradores chineses já teriam adquirido mais de 5 milhões de toneladas da nova safra norte-americana neste estágio do ciclo comercial. O Brasil também mantém forte presença no mercado chinês durante o período em que tradicionalmente predominam os embarques norte-americanos. Nos últimos anos, o País exportou cerca de 13 milhões de toneladas para a China entre outubro e dezembro, reforçando sua capacidade de competir diretamente com os Estados Unidos nesse intervalo.
Não houve confirmação oficial por parte da China sobre a aquisição de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana, volume citado em documentos divulgados pelo governo dos Estados Unidos após encontros diplomáticos realizados em maio. A ausência de definições aumenta as incertezas quanto ao comportamento da demanda chinesa nos próximos meses. Além disso, existe a possibilidade de a China antecipar compras de soja no Brasil e na Argentina como estratégia de diversificação de fornecedores, reduzindo a dependência da origem norte-americana diante de potenciais tensões comerciais futuras. Para 2026, a Stag projeta exportações brasileiras de soja em 117,5 milhões de toneladas, acima das 108,6 milhões de toneladas embarcadas em 2025. Os estoques finais são estimados em 13,5 milhões de toneladas. No primeiro semestre, os embarques brasileiros deverão atingir 75 milhões de toneladas, ante 68 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior.
A revisão para cima das projeções de junho e julho foi baseada na programação de embarques nos portos brasileiros. O Brasil continuará dispondo de ampla oferta para competir agressivamente com a soja norte-americana no quarto trimestre do ano, fator que poderá influenciar diretamente a formação dos preços internacionais. No curto prazo, as atenções do mercado estarão voltadas para os relatórios de estoques e área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previstos para 30 de junho. As condições climáticas também devem ganhar relevância crescente a partir de julho e agosto, período decisivo para a definição da produtividade das lavouras norte-americanas. Até o momento, o cenário climático é considerado neutro a levemente baixista para os preços, com o sul do cinturão produtor mais seco e o Meio Oeste apresentando níveis de umidade adequados ou acima da média. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.