23/Jun/2026
A canola se consolida como principal destaque da Safra de Inverno 2026 no Rio Grande do Sul, com expansão expressiva de área cultivada e forte crescimento de produção, em contraste com a retração generalizada das demais culturas de inverno no Estado. A área destinada à canola deve crescer 102,64%, alcançando 353.397 hectares, com produção estimada em 571.975 toneladas, alta de 100,35% frente às 285.481 toneladas registradas em 2025. A produtividade média esperada é de 1.619 Kg por hectare, redução de 2,09% em relação ao ciclo anterior, quando foi de 1.653 Kg por hectare.
O desempenho ocorre em um contexto de redução mais ampla da área total de inverno no Estado, estimada em queda de 10,76%, para 1.575.634 hectares, com produção projetada de 3.733.118 toneladas, recuo de 22,15% na comparação anual. O movimento é atribuído à combinação de custos elevados de produção, baixa atratividade econômica dos cereais e aumento da percepção de risco climático associado à atuação do fenômeno El Niño. A carinata, cultura associada à produção de insumos para combustível sustentável de aviação, aparece como alternativa emergente, com área estimada em 12.365 hectares, com maior concentração em Santa Rosa, Ijuí e Bagé.
O cenário climático projeta atuação do El Niño ao longo do inverno e intensificação na primavera, com temperaturas e precipitações acima da média histórica. A condição tende a elevar riscos fitossanitários, reduzir qualidade dos grãos e dificultar a colheita no final do ciclo, além de aumentar a umidade do solo e potencialmente atrasar o início da safra de verão (1ª safra 2026/2027). No campo econômico, a combinação entre restrição de crédito, custo de financiamento e endividamento dos produtores adiciona pressão ao ciclo produtivo, com impacto direto sobre a decisão de área e manejo das culturas.
A estratégia de antecipação de semeadura em algumas regiões busca reduzir exposição às chuvas mais intensas do fim do ciclo. O desempenho da canola, nesse contexto, reflete maior atratividade econômica e integração com a demanda industrial, enquanto as demais culturas de inverno seguem pressionadas por margens mais estreitas e maior risco produtivo. Fonte: Emater-RS. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.