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25/Jun/2026

EUA: mercado monitora clima e demanda externa

O mercado de soja dos Estados Unidos segue influenciado por condições climáticas favoráveis no Meio Oeste, enquanto variáveis geopolíticas e comerciais passam a compor o radar de médio prazo dos agentes, especialmente relacionadas à China e ao Irã. No campo geopolítico, há expectativa de eventual ampliação de compras agrícolas pelo Irã com recursos que poderiam ser liberados pelos Estados Unidos, embora ainda não haja confirmação de embarques efetivos nessa direção. O país importou cerca de 18 milhões de toneladas de milho, soja e trigo em 2025, com predominância de milho brasileiro, e não realiza compras relevantes de produtos agrícolas norte-americanos desde 2018. Paralelamente, o fluxo de navios no Estreito de Ormuz permanece abaixo do padrão anterior a episódios de conflito, que variava entre 80 e 130 embarcações por dia, indicando retomada parcial da normalidade logística na região.

No caso da China, o país cumpriu o compromisso de aquisição de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos na temporada atual, com embarques praticamente concluídos. Para os próximos três ciclos comerciais, está prevista meta de 25 milhões de toneladas anuais de soja norte-americana, além de US$ 17 bilhões em outras commodities agrícolas, embora o mercado mantenha ceticismo quanto ao cumprimento integral desses volumes. A combinação dessas duas variáveis é considerada potencialmente relevante para o balanço global de oferta e demanda, com impacto direto sobre estoques e preços internacionais. Na ausência dessas compras adicionais, o mercado permanece mais sensível ao comportamento climático nas lavouras norte-americanas. As condições meteorológicas seguem favoráveis ao desenvolvimento das culturas de milho e soja nos Estados Unidos, associadas a um quadro de temperaturas oceânicas elevadas compatível com a formação de um evento de El Niño intenso, o que tende a sustentar produtividade.

Ainda assim, há reconhecimento de que o padrão climático pode se alterar ao longo do ciclo produtivo. No curto prazo, a demanda doméstica norte-americana contribui para sustentação do complexo, com níveis recordes de esmagamento de soja impulsionados pelo programa de biocombustíveis e exportações de milho firmes. Apesar disso, o balanço geral ainda depende da confirmação de demanda externa adicional para reduzir estoques de forma mais consistente. Para o Brasil, o cenário mantém a competitividade da oferta sul-americana enquanto não se materializam compras adicionais dos Estados Unidos por parte de grandes importadores. A eventual entrada do Irã como comprador relevante e o aumento das aquisições chinesas tenderiam a intensificar a disputa global por soja e alterar o equilíbrio atual do comércio internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.