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25/Jun/2026

Fluxo de soja dos EUA para China ocorre com atraso

A China levou cerca de sete meses para cumprir, em vendas registradas, o compromisso de compra de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos firmado no fim de 2025, o que levanta dúvidas sobre a nova meta de 25 milhões de toneladas anuais entre 2026 e 2028. O principal ponto de incerteza para o mercado é a métrica que será utilizada para acompanhar o novo compromisso: vendas externas registradas pelo USDA, embarques físicos ou efetiva chegada da soja aos portos chineses. A falta de definição torna o acompanhamento da meta menos transparente e amplia a margem de interpretação dos dados. O movimento recente teve início após o USDA registrar, em 18 de junho, a venda de 132 mil toneladas de soja para a China, primeira operação da safra 2026/27 dentro do novo ciclo de compromissos. A partir desse ponto, passou a ser monitorado o cumprimento da meta anual de 25 milhões de toneladas, embora o histórico recente indique forte defasagem entre vendas, embarques e chegada efetiva ao destino.

As vendas norte-americanas de soja para a China praticamente foram interrompidas em 2025 após o início de anúncios de tarifas sobre produtos chineses entre março e abril. Em abril daquele ano, os volumes caíram para menos de 20 mil toneladas e ficaram zerados entre maio e outubro. As negociações foram retomadas após encontro diplomático entre autoridades dos dois países na Coreia do Sul, quando foi anunciado o compromisso chinês de comprar 12 milhões de toneladas de soja norte-americana nos dois últimos meses de 2025 e 25 milhões de toneladas anuais entre 2026 e 2028. O ritmo de compras se acelerou no fim de 2025 e início de 2026, mas o volume efetivamente contratado até o prazo original ficou em pouco mais de 6 milhões de toneladas, equivalente à metade da meta inicial. Posteriormente, o volume avançou para 11 milhões de toneladas em março, 11,9 milhões no fim de maio e cerca de 11,96 milhões em meados de junho. O fluxo físico apresentou defasagem em relação às vendas.

Dados de inspeção de exportações do USDA indicam que os embarques começaram em dezembro de 2025, ganharam ritmo em janeiro e atingiram cerca de 11 milhões de toneladas no início de maio. Em meados de junho, o volume embarcado somava aproximadamente 11,76 milhões de toneladas. A chegada efetiva à China ocorre com atraso adicional. Estimativas baseadas em dados alfandegários indicam que as primeiras cargas chegaram em janeiro de 2026, com importações acumuladas de 6 milhões de toneladas em abril e 8,33 milhões até o fim de maio. No ritmo atual, a conclusão do volume de 12 milhões de toneladas pode ocorrer apenas em agosto. Há falta de clareza na própria interpretação chinesa sobre as metas. Em parte da comunicação do setor, há dúvidas se o volume importado em 2026 deve ser contabilizado dentro da meta anual de 25 milhões de toneladas ou se o compromisso se refere ao ano comercial 2026/27, o que amplia a incerteza sobre o acompanhamento do acordo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.