28/Jul/2026
A retomada das compras de soja norte-americana pela China, em linha com os compromissos assumidos nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, não altera, por ora, a predominância do Brasil como principal fornecedor da oleaginosa ao mercado chinês. Apesar do aumento das aquisições dos Estados Unidos, a competitividade brasileira segue sustentada por menores custos de produção e preços mais atrativos. Em junho, a China importou volume recorde de 13,55 milhões de toneladas de soja, das quais 12,07 milhões de toneladas, o equivalente a aproximadamente 90% do total, tiveram origem no Brasil. Os Estados Unidos responderam por 1,26 milhão de toneladas no período. Os embarques brasileiros permanecem aquecidos. A previsão é de que cerca de 9,23 milhões de toneladas sejam enviadas à China em julho, com fluxo elevado também esperado para agosto.
Paralelamente, aproximadamente 1,25 milhão de toneladas de soja norte-americana já foram contratadas para embarque a partir de setembro, quando a nova safra dos Estados Unidos começa a chegar ao mercado. Mesmo com o avanço do entendimento comercial entre Estados Unidos e China, que prevê compras anuais de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana até 2028, a concretização desses volumes dependerá das condições de mercado. A diferença entre anúncios de aquisição e embarques efetivos continua sendo um fator relevante na dinâmica do comércio internacional. A competitividade do Brasil permanece apoiada em vantagens estruturais. A soja brasileira é negociada com desconto estimado entre US$ 0,50 e US$ 0,60 por bushel em relação ao produto norte-americano, além de apresentar custo de produção aproximadamente US$ 1,20 por bushel inferior ao dos Estados Unidos, proporcionando maior margem de comercialização e fortalecendo a posição brasileira no mercado internacional.
Para a safra norte-americana 2026/27, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção de 121,8 milhões de toneladas, favorecida pela expansão da área cultivada para 34,56 milhões de hectares. Entretanto, o desempenho final da safra dependerá das condições climáticas durante os meses de julho e agosto, período crítico para o enchimento de grãos. Outro fator de sustentação dos preços internacionais é o elevado processamento doméstico de soja nos Estados Unidos, estimado em 74,84 milhões de toneladas, impulsionado pela demanda da indústria de biocombustíveis. O maior volume destinado ao esmagamento reduz a disponibilidade exportável do país e contribui para limitar a oferta no mercado global. Fonte: CNN. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.