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06/Aug/2026

EUA: exportação de soja no menor nível em 13 anos

Segundo a Demetrica Analytics, a recuperação das exportações norte-americanas de soja no encerramento da temporada 2025/26 pode levar os embarques a superarem a estimativa atual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mas não altera a tendência estrutural de perda de competitividade do país no mercado internacional. Mesmo em um cenário mais favorável, os embarques deverão ser os menores desde a safra 2012/13. Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 1,9 milhão de toneladas de soja em junho, maior volume para o mês desde 2022. Com base nas vendas externas e nas inspeções de embarque mais recentes, a consultoria projeta exportações próximas de 2,2 milhões de toneladas em julho e de cerca de 2 milhões de toneladas em agosto. Caso esse desempenho se confirme, as exportações norte-americanas no ano comercial 2025/26, encerrado em agosto, poderão atingir entre 42,5 milhões e 42,6 milhões de toneladas, acima das 41,4 milhões atualmente projetadas pelo USDA.

Ainda assim, a revisão teria impacto limitado sobre o quadro geral, mantendo a temporada como a de menor volume exportado pelos Estados Unidos em 13 anos. A comparação histórica evidencia a mudança na dinâmica do setor. Na safra 2012/13, os Estados Unidos produziram cerca de 83 milhões de toneladas e destinaram aproximadamente 44% da produção às exportações. Em 2025/26, a produção é estimada em 116 milhões de toneladas, cerca de 40% superior, porém apenas 36% deverão ser direcionadas ao mercado externo. Grande parte desse aumento de produção foi absorvida pelo mercado doméstico. O esmagamento deverá consumir aproximadamente 62% da safra norte-americana em 2025/26, impulsionado pela expansão da capacidade industrial e pela demanda por diesel renovável, óleo e farelo de soja. Em 2012/13, essa participação era de cerca de 56%. A expansão da indústria de processamento também contribuiu para evitar uma elevação mais significativa dos estoques finais, apesar do desempenho mais fraco das exportações.

Os estoques são estimados próximos de 9 milhões de toneladas e relação estoque/consumo ao redor de 12%, patamar considerado administrável. O cenário difere significativamente do observado entre 2018 e 2020, durante a primeira disputa comercial entre Estados Unidos e China, quando os estoques finais superaram 25 milhões de toneladas e a relação estoque/consumo ultrapassou 40%, pressionando fortemente as cotações internacionais. O fortalecimento da indústria de esmagamento reduziu a dependência das exportações como principal destino da produção, diminuindo o risco de formação de excedentes elevados. No entanto, permanece a dúvida sobre a capacidade do processamento doméstico de continuar absorvendo o crescimento da oferta no longo prazo. Atualmente, coexistem duas realidades distintas na cadeia norte-americana da soja.

Enquanto os exportadores enfrentam uma das temporadas mais fracas da última década, a indústria de processamento continua ampliando investimentos em novas plantas industriais. Além disso, a recuperação das exportações norte-americanas enfrenta a crescente concorrência do Brasil, que ampliou sua produção, investiu em infraestrutura logística e mantém elevada competitividade nos mercados internacionais durante boa parte do ano. Embora acordos comerciais possam alterar temporariamente os fluxos globais, a recuperação consistente da participação dos Estados Unidos dependerá, sobretudo, da capacidade de recuperar competitividade frente aos principais concorrentes. Nesse contexto, o principal desafio da cadeia norte-americana deixa de ser apenas ampliar a produção e passa a concentrar-se na capacidade de expandir a demanda, seja por meio do fortalecimento do processamento doméstico, seja pela recuperação da presença nos mercados internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.