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06/Aug/2026

El Niño amplia risco climático na safra 2026/2027

A ocorrência do fenômeno El Niño poderá alterar o comportamento climático durante a safra brasileira de soja 2026/27, com potencial para atrasar o retorno das chuvas e o início da semeadura em áreas do Centro-Oeste, além de elevar o risco de condições mais secas nas Regiões Norte, Nordeste e em partes de Mato Grosso e Goiás. Na Região Sul, o fenômeno tende a favorecer a recuperação da produtividade em razão da maior disponibilidade de umidade, embora o excesso de precipitações possa provocar alagamentos, aumentar a incidência de doenças e dificultar as operações de campo. A StoneX projeta, em sua estimativa inicial para a temporada 2026/27, produção recorde de 183,1 milhões de toneladas de soja. A área cultivada foi estimada em 49,5 milhões de hectares, avanço de 0,76% em relação ao ciclo anterior, enquanto a produtividade média deverá recuar de 3,72 para 3,70 toneladas por hectare. A confirmação desse potencial produtivo dependerá principalmente da distribuição das chuvas ao longo do ciclo.

Historicamente, o El Niño favorece o aumento das precipitações no Rio Grande do Sul e no Paraná, reduzindo o risco de estiagens em importantes regiões produtoras. Entretanto, a expansão da cultura para o Centro-Oeste, Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e áreas da Região Norte aumentou a exposição da produção nacional aos períodos de menor disponibilidade hídrica que podem acompanhar o fenômeno nessas localidades, ampliando o risco de perdas por deficiência de chuvas. Os mapas refletem padrões climáticos observados em eventos anteriores de El Niño e não representam uma previsão específica para a safra 2026/27. Ainda assim, o histórico indica possibilidade de um mês de setembro mais seco, período fundamental para a reposição da umidade do solo e para o início da semeadura após o término do vazio sanitário.

Um atraso no plantio da soja poderá postergar a colheita e reduzir a janela de cultivo da 2ª safra de milho de 2027 e do algodão, configurando um dos principais fatores de risco para a produção de grãos em 2027. Mato Grosso foi apontado como região de atenção durante novembro, fase importante para a definição do potencial produtivo das lavouras. Em episódios anteriores de El Niño, o Estado registrou condições mais secas e redução de produtividade, enquanto o Rio Grande do Sul apresentou recuperação dos rendimentos, em alguns casos após ciclos marcados por perdas expressivas. Na primeira estimativa da safra, a StoneX optou por não repetir os elevados níveis de produtividade observados em Mato Grosso e Goiás na temporada 2025/26. Para o Rio Grande do Sul, a projeção de rendimento é superior a 3 toneladas por hectare, refletindo expectativa de recuperação após as perdas climáticas registradas nos últimos ciclos.

Em um cenário de estresse, uma redução de 15% na produção de Mato Grosso, mantendo inalteradas as demais variáveis de oferta e demanda, reduziria o estoque final brasileiro para aproximadamente 1 milhão de toneladas, indicando um balanço extremamente apertado e possibilidade de racionamento da demanda, principalmente por meio das exportações. Mesmo uma quebra de 8% no Estado já tornaria o balanço de oferta mais ajustado e aumentaria a sensibilidade dos preços às oscilações do mercado. Apesar dos riscos, o Centro-Sul não deverá enfrentar uma estiagem generalizada em função do El Niño. Algumas áreas da Região Sudeste poderão registrar períodos pontualmente mais secos, porém o maior risco de deficiência hídrica permanece concentrado nas Regiões Norte, Nordeste e em partes de Mato Grosso e Goiás. Mato Grosso do Sul, o restante da Região Sul e grande parte do Sudeste tendem a apresentar condições climáticas mais favoráveis.

No Rio Grande do Sul, o aumento das precipitações poderá beneficiar o desenvolvimento das lavouras, desde que os volumes permaneçam dentro de padrões adequados. Caso ocorram chuvas excessivas, poderão ser registrados alagamentos, dificuldades operacionais no campo e impactos negativos sobre a produtividade. Entre dezembro e fevereiro, a persistência das chuvas na Região Sul poderá dificultar o manejo das lavouras, elevar a incidência de doenças e comprometer operações agrícolas. A intensidade prevista para o El Niño não permite concluir, de forma isolada, que seus impactos sobre a agricultura serão proporcionalmente mais severos, uma vez que os efeitos dependem da distribuição espacial e temporal das condições climáticas. Além dos reflexos sobre a produção, o fenômeno também poderá afetar a logística de exportação. Em eventos anteriores de El Niño, a redução dos níveis dos rios utilizados no corredor logístico da Região Norte limitou a capacidade de carga das embarcações, aumentou a necessidade de transbordo para barcaças e elevou os custos de transporte e escoamento da produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.