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14/Sep/2026

China deve manter compra “política” de soja dos EUA

A China pode manter compras de soja dos Estados Unidos mesmo quando o grão norte-americano estiver mais caro do que o produto sul-americano, diante do interesse de preservar uma relação comercial mais ampla com os Estados Unidos. Para o Brasil, maior exportador mundial da oleaginosa, o cenário indica que a competitividade de preço pode não ser suficiente para assegurar toda a demanda chinesa quando as compras agrícolas estiverem inseridas em negociações comerciais entre os dois países. Uma eventual compra de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana pela China, com pagamento médio de US$ 0,50 por bushel acima do preço da soja sul-americana, representaria custo adicional inferior a US$ 500 milhões. O valor seria considerado pequeno diante dos potenciais ganhos comerciais associados à preservação do acesso da China ao mercado consumidor dos Estados Unidos. A avaliação é de que a China teria incentivos para aceitar um prêmio pela soja norte-americana caso isso contribuísse para ampliar ou preservar oportunidades comerciais em outras áreas da relação bilateral.

As 25 milhões de toneladas fazem parte do compromisso comercial anunciado pelos Estados Unidos para cada um dos anos de 2026, 2027 e 2028. Contudo, não é provável que a China necessariamente alcance todo esse volume. Mesmo assim, o incentivo político e comercial para aquisição da soja norte-americana permanece, inclusive quando a origem sul-americana apresentar preços mais competitivos. A disposição chinesa para ampliar as compras norte-americanas ganhou força na semana passada, quando empresas do país adquiriram cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos em meio à expectativa de uma visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington ainda neste mês. Com essas operações, o volume contratado pela China se aproximou de metade do compromisso anual de 25 milhões de toneladas. Os anúncios oficiais de vendas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também mostram aceleração das compras.

Na quinta-feira (10/09), o USDA informou a venda de 272 mil toneladas de soja para a China na temporada 2026/27. Outros negócios anunciados desde o início de setembro envolveram 192 mil toneladas no dia 3, 202 mil toneladas no dia 2 e 136 mil toneladas no dia 1º de setembro. A disposição chinesa de pagar prêmio pela soja norte-americana está relacionada ao contexto mais amplo da relação comercial entre os dois países. As exportações chinesas para os Estados Unidos recuaram US$ 131 bilhões entre 2024 e 2025. Nesse cenário, um custo adicional de algumas centenas de milhões de dólares para aquisição da oleaginosa seria relativamente pequeno diante do interesse de Pequim em preservar o acesso ao mercado consumidor norte-americano. Para o Brasil, essa dinâmica reduz o peso do diferencial de preços na disputa pela demanda chinesa. Embora o País seja o principal fornecedor de soja à China e mantenha vantagem sazonal em determinados períodos do ano, parte da demanda chinesa pode ser direcionada aos Estados Unidos caso a China priorize o cumprimento de compromissos comerciais assumidos.

A competição entre as duas origens ocorre, ao mesmo tempo, em um cenário de menor disponibilidade relativa de soja para exportação pelos Estados Unidos. O esmagamento norte-americano avançou rapidamente com a expansão dos biocombustíveis e já responde por mais de 60% da demanda pela oleaginosa no país. Quatro anos atrás, o volume processado era mais de 13,61 milhões de toneladas, inferior ao nível atual. Com uma parcela maior da produção direcionada ao mercado doméstico, os Estados Unidos dispõem de menor excedente para exportação justamente no momento em que as compras chinesas voltam a ganhar ritmo. Essa combinação pode intensificar a disputa entre Brasil e Estados Unidos pela demanda chinesa na temporada 2026/27, com fatores comerciais e políticos ganhando importância ao lado da diferença de preços entre as duas origens. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.