23/Sep/2026
A produção total de grãos da Argentina na safra 2026/27 deve atingir quase 158 milhões de toneladas, superando o recorde anterior de 157 milhões de toneladas. A projeção foi apresentada pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires nesta terça-feira (22/09) durante o lançamento da campanha agrícola e considera a expansão da área de soja, a manutenção dos investimentos em tecnologia e os efeitos esperados do El Niño sobre as condições produtivas. A área destinada ao cultivo de soja deve crescer 1,2%. A projeção de rendimento considera os efeitos do El Niño e a continuidade dos investimentos em tecnologia. Para o milho, a área semeada é estimada em 8,4 milhões de hectares, estável em relação à safra anterior. A cultura deve apresentar deslocamento geográfico do Norte para o Sul do país, em razão da presença da cigarrinha-do-milho nas regiões setentrionais, da maior disponibilidade hídrica nas áreas centrais e do Sul e da antecipação do plantio do milho precoce.
A área de sorgo é projetada em 750 mil hectares, também estável ante o ciclo anterior. No trigo, a produção deve recuar em relação ao recorde registrado na safra passada, mas ainda deverá representar a 2ª maior da história da Argentina. Para o girassol, a expectativa é de produção recorde. Há maior probabilidade de cobertura dos custos por hectare para milho e soja em relação à safra passada, favorecida pela redução escalonada das alíquotas de retenciones. Na soja, a redução do tributo representa ganho de US$ 46 por tonelada ao fim do período, com impacto de US$ 17 por hectare em maio de 2027 e de US$ 76 por hectare em maio de 2028. No milho, o ganho projetado é de US$ 7 por tonelada até dezembro de 2028, com acréscimo de US$ 4 por hectare na colheita deste ano e de US$ 23 por hectare na safra seguinte. Nos custos de produção, observa-se alta de 50% no preço do diesel e de 29% no glifosato, enquanto a ureia apresenta queda.
Pesquisas da entidade indicam que entre 86% e 88% dos produtores planejam manter ou elevar o nível tecnológico empregado nas lavouras, sinalizando continuidade dos investimentos mesmo diante da pressão de custos. A arrecadação tributária total gerada pelo setor agropecuário deve crescer, impulsionada pelo maior volume produzido e pelo aumento da receita de imposto de renda, compensando a redução das alíquotas de retenciones. As exportações do setor agropecuário argentino são projetadas em quase US$ 42 bilhões, alta de 19% em relação ao ciclo anterior, favorecidas pela recuperação das cotações internacionais. O Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário da Argentina deve superar US$ 54 bilhões em 2026/27, avanço de 6%. A expansão econômica do setor será explicada em um terço pelo aumento dos volumes produzidos e em dois terços pela evolução dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.