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23/Sep/2026

Demanda chinesa pode sustentar Bolsa de Chicago

Segundo a Stag International, a pressão sazonal da colheita dos Estados Unidos sobre os preços da soja na Bolsa de Chicago pode ser menor neste ano caso a China retire a tarifa adicional de 10% sobre o produto norte-americano e compradores privados chineses retomem as aquisições com maior intensidade. O principal fator a ser observado não é apenas a eventual retirada da tarifa, mas se a medida resultará efetivamente em aumento da demanda física chinesa por soja norte-americana. A retirada da tarifa poderia sustentar os preços não apenas pelo eventual aumento do volume adquirido pela China, mas também pela possibilidade de reconectar as esmagadoras privadas chinesas ao mercado físico dos Estados Unidos e às operações de proteção na Bolsa de Chicago. A China já acumulou cobertura relevante de soja norte-americana, mas empresas ligadas ao governo tiveram participação importante nessas compras. A redução da barreira tarifária poderia melhorar as margens de esmagamento dos compradores privados e ampliar a procura pelo produto dos Estados Unidos.

A retirada da tarifa, isoladamente, porém, não seria suficiente para justificar uma nova valorização expressiva dos contratos futuros. As posições compradas dos fundos acompanharam de perto a alta recente da soja, mas uma nova rodada de valorização dependeria de sustentação por compras físicas. As negociações comerciais entre Estados Unidos e China voltaram a incluir produtos agrícolas, mas ainda não há acordo para aquisições adicionais de soja norte-americana. A evolução da colheita dos Estados Unidos também será determinante nas próximas semanas. As previsões indicam chuvas nas Grandes Planícies e no oeste do cinturão produtor nos próximos 10 dias, enquanto Ohio, Indiana e Illinois devem permanecer secos e quentes. Esse cenário tende a favorecer avanço mais rápido da colheita no leste e ritmo irregular em Iowa e Minnesota. No Delta do Mississippi, tempestades sobre lavouras maduras elevam o risco de perdas de grãos, germinação e ocorrência de mofo.

Temperaturas elevadas também podem reduzir a umidade da soja para menos de 13% e, consequentemente, diminuir o peso entregue pelos produtores. Os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ainda não indicam preocupação relevante com a oferta. A colheita alcançou 12% da área, em linha com a média de cinco anos, enquanto as primeiras produtividades são consideradas boas e próximas das registradas no ano passado. Nesse contexto, o excesso de umidade da soja colhida pode ter maior relevância para o mercado de farelo neste momento do que o próprio atraso da colheita em Iowa. No Brasil, as condições climáticas também não oferecem, por enquanto, sustentação adicional relevante aos preços internacionais. Mato Grosso e Goiás registraram distribuição irregular das chuvas, enquanto as Regiões Sul e Sudeste apresentaram melhora da umidade do solo. As previsões indicam aumento das precipitações no Centro-Oeste no fim de setembro, o que pode favorecer o avanço do plantio em Mato Grosso.

As condições permanecem compatíveis com um início normal da safra 2026/27. A principal diferença em relação às últimas temporadas de colheita dos Estados Unidos está na menor pressão competitiva exercida pelo Brasil. Os prêmios FOB da soja velha permanecem sustentados pela comercialização mais lenta dos produtores, enquanto a China não demonstra urgência para garantir volumes brasileiros no 4º trimestre. As margens de esmagamento na China continuam pouco atrativas, reduzindo a disputa entre exportadores e esmagadoras brasileiras pela soja disponível. Nos últimos três anos, o período de colheita dos Estados Unidos coincidiu com oferta brasileira abundante e competitiva. Para 2026, o cenário pode ser diferente. Caso a queda sazonal dos futuros atraia a demanda chinesa enquanto a soja brasileira permanecer relativamente cara, compras adicionais poderão absorver mais rapidamente a oferta norte-americana e reduzir tanto a intensidade quanto a duração da pressão sazonal sobre os preços na Bolsa de Chicago.

A Stag mantém suas projeções mensais para as exportações brasileiras, mas espera que os prêmios FOB da soja velha continuem sustentados enquanto os produtores não acelerarem as vendas dos estoques remanescentes. Ao mesmo tempo, há espaço limitado para nova alta desses prêmios, uma vez que a China não precisa garantir soja brasileira no curto prazo. Essa condição pode se acentuar caso Pequim reduza a tarifa aplicada ao produto dos Estados Unidos. Outro fator acompanhado é o comportamento da demanda chinesa. As exportações brasileiras de soja para a China entre janeiro e agosto ficaram cerca de 1,5 milhão de toneladas abaixo do mesmo período do ano passado, apesar do maior excedente exportável brasileiro. Outros mercados absorveram esse volume adicional. Na China, os estoques de soja nos portos permanecem elevados, enquanto o setor de suínos enfrenta excesso de oferta e margens fracas, fatores que também reduzem a urgência por novas compras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.