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23/Sep/2026

Soja e milho: baixa correlação com força do El Niño

A intensidade do El Niño, isoladamente, não permite antecipar o comportamento da produtividade de soja e milho no Brasil. Levantamento da CropProphet, empresa norte-americana especializada em análise climática e produtividade agrícola para o mercado de grãos, não identificou relação estatisticamente significativa entre a intensidade do fenômeno e a produtividade nacional de soja, milho safra de verão (1ª safra) e milho 2ª safra. A análise foi conduzida em meio ao fortalecimento do El Niño para a safra sul-americana 2026/27. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo. No Brasil, mesmo a relação mais forte identificada entre a intensidade do fenômeno e a produtividade explicou menos de 5% das variações observadas em relação à tendência histórica, resultado que se aplica às três culturas avaliadas. A baixa correlação nacional não significa ausência de efeitos do El Niño sobre as lavouras brasileiras.

As respostas climáticas variam entre as regiões produtoras e podem perder intensidade estatística quando os dados de todo o País são analisados em conjunto. Dessa forma, uma relação fraca na média nacional não implica impactos semelhantes entre os diferentes Estados produtores. Na soja, essa diferença regional fica evidente na relação entre o El Niño e as chuvas de janeiro e fevereiro. Rio Grande do Sul e Mato Grosso apresentaram comportamentos distintos no levantamento, indicando que os efeitos observados em uma região podem divergir daqueles registrados em outra. Entre as variáveis meteorológicas avaliadas nas áreas brasileiras de soja, a temperatura mínima em janeiro e fevereiro apresentou a relação mais forte com o El Niño. A associação com as chuvas foi fraca, enquanto a relação com a temperatura máxima foi superior à observada com a precipitação, mas ainda sem atingir nível estatisticamente significativo.

Na Argentina, o histórico apresentou comportamento diferente. A CropProphet identificou relação mais clara entre o El Niño e as chuvas nas regiões produtoras de soja, além de associação com a produtividade nacional de soja e milho. O fenômeno explicou cerca de 19% das variações históricas da produtividade argentina de soja em relação à tendência e 27% das variações da produtividade de milho. Na amostra argentina, as safras de soja ocorridas em períodos de La Niña apresentaram produtividade média abaixo da tendência, enquanto os anos de condições neutras e de El Niño ficaram acima da tendência. O levantamento, porém, conta com relativamente poucas safras classificadas como El Niño forte, o que limita a utilização desse histórico como referência para antecipar o comportamento da safra 2026/27. A CropProphet também considerou a atualização de 10 de setembro do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que apontava probabilidade superior a 90% de ocorrência de um evento muito forte durante o outono e o inverno de 2026/27 no Hemisfério Norte, período que coincide com a semeadura da soja no Brasil.

Mesmo diante dessa perspectiva climática, a intensidade do El Niño não deve ser utilizada isoladamente para projetar o desempenho das lavouras. A análise indica que atribuir um resultado único de produtividade ao Brasil ou à Argentina com base apenas na fase do ENSO não é justificável. ENSO é a sigla em inglês para El Niño-Oscilação Sul, denominação atribuída ao conjunto de variações no Oceano Pacífico e na atmosfera que inclui os fenômenos El Niño e La Niña. A produtividade final também depende do momento e da localização das chuvas, das temperaturas, da umidade do solo, do estágio de desenvolvimento das culturas, do manejo e do nível tecnológico empregado. O levantamento da CropProphet identifica relações observadas no histórico, mas não estabelece que o El Niño, isoladamente, seja a causa das oscilações de produtividade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.