ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

07/Oct/2026

Biodiesel exige previsibilidade na política de mistura

A expansão das exportações brasileiras de soja em 2027 tende a ser limitada pelo crescimento mais moderado da demanda chinesa, enquanto o avanço do esmagamento no mercado interno dependerá de maior previsibilidade na política de mistura de biodiesel ao diesel. O cenário ocorre em um ambiente de ampla oferta mundial da oleaginosa e de margens pressionadas em diferentes elos da cadeia, reduzindo o espaço para uma expansão expressiva dos embarques brasileiros, apesar da competitividade do País. A demanda chinesa por soja continua em crescimento, mas em ritmo inferior ao inicialmente projetado, enquanto a oferta mundial permanece elevada. Essa combinação mantém as margens pressionadas para produtores, tradings, indústrias e demais agentes da cadeia e limita a perspectiva de crescimento das exportações brasileiras em 2027.

O Brasil permanece competitivo no mercado internacional, mas a combinação entre oferta global elevada e expansão mais moderada das compras da China reduz a possibilidade de novo salto nos embarques. O Brasil parte de uma safra recorde e de uma expectativa também elevada para as exportações. Em setembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a produção de soja da safra 2025/26 em 180,4 milhões de toneladas, alta de 5,2% ante o ciclo anterior. Para as exportações, a projeção é de 116,2 milhões de toneladas. A manutenção de volumes elevados de produção e embarques aumenta a importância da demanda interna como alternativa de absorção da oleaginosa. Nesse contexto, o esmagamento apresenta potencial de expansão, principalmente pela transformação da soja em farelo e óleo, sendo o óleo uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel.

A evolução da demanda doméstica por soja depende, portanto, da previsibilidade da política de mistura do biodiesel, uma vez que alterações no percentual obrigatório de adição ao diesel afetam diretamente a necessidade de óleo vegetal e, consequentemente, o processamento da oleaginosa. A Lei do Combustível do Futuro (14.993/2024) previa a elevação da mistura para B16 a partir de março de 2026, mas o aumento depende de avaliação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e de comprovação de viabilidade técnica. A mistura B15 entrou em vigor em agosto de 2025. Em maio, o governo informou que seriam iniciados naquele mês os testes para misturas superiores a B15 e que, naquele momento, não havia viabilidade técnica atestada para percentuais acima desse nível. Apesar das limitações para a elevação imediata da mistura, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou em junho sua projeção de esmagamento de soja no Brasil em 2026 para 63 milhões de toneladas, volume que representaria recorde.

O desempenho do processamento dependerá da capacidade de expansão do consumo de óleo de soja para biodiesel e da definição de um ambiente regulatório mais previsível para os investimentos industriais. Para o próximo ciclo da soja, a estratégia de expansão tende a estar mais associada ao aumento de produtividade e eficiência do que à incorporação de novas áreas. Tecnologia, gestão de custos, eficiência operacional e administração dos riscos ganham peso em um cenário de margens mais pressionadas e de maior necessidade de competitividade. A expansão da produção deverá depender, portanto, da capacidade de elevar a eficiência das áreas já utilizadas, em vez de depender predominantemente da abertura de novas fronteiras agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.