07/Oct/2026
Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a demanda das indústrias de Mato Grosso por soja para esmagamento sustentou a recuperação dos preços no terceiro trimestre e levou a soja a R$ 140,85 por saca de 60 Kg em 30 de setembro, maior nível desde o pico registrado em 2024. A valorização ocorre após o indicador do Imea ter ficado abaixo de R$ 100,00 por saca de 60 Kg no início de 2026, patamar que não era observado desde março de 2024, em um período marcado pela elevada oferta acumulada de duas safras de boa produção. No início do ano, embora a demanda estivesse aquecida, o ritmo de absorção ainda não era suficiente para retirar toda a disponibilidade de soja do mercado mato-grossense. Ao longo do terceiro trimestre, o aumento das compras destinadas ao processamento ampliou a absorção do grão pelo mercado interno e contribuiu para a recuperação das cotações.
Com preços mais elevados e menor disponibilidade da safra 2025/26, os produtores intensificaram as vendas tanto do ciclo atual quanto da temporada 2026/27. Em setembro, a comercialização da safra 2025/26 alcançou 96,90%, ante 93,06% em agosto, avanço de 3,84%. Para a safra 2026/27, a parcela negociada aumentou de 30,23% para 39,12%, avanço de 8,89% no período. A combinação entre preços mais remuneradores e redução da disponibilidade da safra anterior contribuiu para acelerar a fixação de negócios da nova temporada. A sustentação do mercado também foi observada na comparação semanal. O indicador do Imea para a soja disponível no Estado regista média de R$ 140,49 por saca de 60 Kg, alta de 0,56% anos últimos sete dias. Apesar da média semanal mais elevada, os preços diários recuaram após o pico de R$ 140,60 por saca de 60 Kg em 1º de outubro, para R$ 140,15 por saca de 60 Kg no dia 2 de outubro.
No mercado internacional, o contrato de soja para março de 2027 negociado na Bolsa de Chicago recuou 2,17% no mesmo intervalo, para média de US$ 13,14 por bushel. O movimento refletiu a realização de lucros e a maior cautela dos investidores, reduzindo a sustentação externa para as cotações brasileiras. O prêmio no Porto de Santos (SP), valor adicional pago sobre a cotação da Bolsa de Chicago pela soja entregue no porto, caiu 2,87%, para +US$ 1,43 por bushel. A retração foi influenciada pela elevada oferta da safra norte-americana. A paridade de exportação em Mato Grosso para março de 2027 também recuou, 0,61%, para R$ 124,01 por saca de 60 Kg, acompanhando o enfraquecimento dos preços na Bolsa de Chicago. A diferença entre os indicadores evidencia a influência da demanda doméstica sobre os preços disponíveis em Mato Grosso. Enquanto a paridade de exportação para entrega futura recuou para R$ 124,01 por saca de 60 Kg, pressionada pela Bolsa de Chicago e pelo câmbio, o indicador da soja disponível permanece em R$ 140,49 por saca de 60 Kg.
O primeiro representa uma referência de comercialização futura, enquanto o segundo acompanha o mercado físico disponível no Estado. Na cadeia de derivados, os preços também avançam. A média do farelo de soja aumentou de R$ 1.996,41 para R$ 2.028,29 por tonelada, enquanto a cotação média do óleo de soja passou de R$ 6.357,64 para R$ 6.395,72 por tonelada. Com a valorização dos derivados, a margem bruta de esmagamento (que representa o ganho bruto das indústrias com o processamento da soja), aumentou de R$ 441,17 para R$ 456,71 por tonelada. Para a safra 2026/27, o Imea manteve a estimativa de produção de 48,88 milhões de toneladas em Mato Grosso, em uma área projetada de 13,05 milhões de hectares e produtividade de 62,44 sacas de 60 Kg por hectare. O rendimento esperado permanece abaixo das médias superiores a 66 sacas por hectare registradas nas duas últimas safras, o que mantém as condições climáticas como variável central para a confirmação do potencial produtivo. A semeadura da safra 2026/27 alcançou 10,23% da área projetada na semana encerrada em 2 de outubro, ante 3,87% na semana anterior.
O avanço do plantio dependerá da distribuição e da continuidade das chuvas, que serão determinantes para o estabelecimento das lavouras e para a confirmação da produtividade projetada. As temperaturas elevadas previstas para dezembro também permanecem como ponto de atenção para o desenvolvimento das plantas. O mercado de soja em Mato Grosso, portanto, apresenta uma dinâmica de preços sustentada principalmente pela demanda interna das indústrias de esmagamento, mesmo diante da perda de valor dos referenciais externos. A menor disponibilidade da safra 2025/26, o avanço da comercialização da nova temporada e a melhora das margens industriais contribuem para manter o mercado físico fortalecido. Para os próximos meses, a evolução da demanda doméstica, o comportamento da Bolsa de Chicago, os prêmios de exportação, o câmbio e, principalmente, o clima durante o estabelecimento da safra 2026/27 deverão definir a trajetória das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.