09/Oct/2026
A indústria brasileira de biodiesel dispõe de capacidade ociosa para ampliar a produção e reduzir a dependência de diesel importado, mas o avanço depende da elevação da mistura obrigatória, atualmente em 15%. A capacidade instalada no País se aproxima de 16 bilhões de litros por ano, diante de uma demanda de cerca de 10 bilhões de litros, o que indica espaço para ampliar a participação do biodiesel na matriz de combustíveis e levar a mistura para patamares superiores a 25%. A expansão da mistura depende da conclusão de testes técnicos e de decisões regulatórias. A trajetória defendida pelo setor considera inicialmente a elevação para 20% e, posteriormente, para 25%. O governo federal, contudo, manteve temporariamente o B15 e adiou a entrada do B16, enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) solicitou avaliações adicionais sobre o desempenho de motores com percentuais mais elevados.
Pela Lei do Combustível do Futuro, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) pode estabelecer a mistura entre 13% e 25%. A discussão sobre percentuais superiores a 25% também ganha espaço diante da disponibilidade de matérias-primas e da experiência brasileira com concentrações mais elevadas em aplicações específicas. Há operações com biodiesel puro, o B100, além de experiências com mistura de 50%, o B50, em atividades como mineração e siderurgia. Esses casos indicam potencial de utilização do biocombustível além da mistura obrigatória no transporte rodoviário, embora a adoção de novos percentuais no mercado dependa de avaliações técnicas e autorização regulatória. A ampliação do biodiesel também está diretamente relacionada à dependência brasileira de diesel importado. As compras externas representam entre 25% e 30% do consumo nacional, com volume próximo de 17 bilhões de litros no ano passado.
O diesel importado, que até pouco tempo tinha a Rússia como uma das principais origens, atualmente chega principalmente dos Estados Unidos. Considerando a contribuição da produção doméstica de cerca de 10 bilhões de litros de biodiesel, a necessidade de importação poderia alcançar 27 bilhões de litros caso esse volume de biocombustível não estivesse disponível no mercado nacional. O principal risco associado à dependência externa está relacionado não apenas à volatilidade das cotações internacionais, mas também à possibilidade de interrupção do fornecimento. O agronegócio brasileiro possui elevada dependência do diesel nas operações de plantio e colheita, especialmente em períodos de maior demanda, como outubro. Uma restrição de oferta poderia comprometer o calendário agrícola e afetar a execução de operações essenciais nas propriedades.
A disponibilidade de matérias-primas também não é considerada um obstáculo estrutural para a expansão do biodiesel. O óleo de soja responde por mais de 70% da produção brasileira, mas a matriz de insumos inclui alternativas como gorduras animais, óleo de palma, caroço de algodão e óleo de cozinha usado, ampliando as possibilidades de abastecimento da indústria e reduzindo a dependência de uma única fonte. A experiência internacional reforça o potencial de ampliação das misturas. A Indonésia, que utiliza principalmente óleo de palma como matéria-prima, aprovou a mistura B50, com apoio de política de Estado. O modelo demonstra a importância de metas de longo prazo para ampliar a participação dos biocombustíveis e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Para a indústria brasileira, o principal desafio está na velocidade de implementação das novas misturas e na previsibilidade da demanda.
A definição do ritmo de expansão do mercado é necessária para que as empresas possam planejar investimentos, capacidade produtiva e aquisição de matérias-primas. A continuidade da política de biocombustíveis também é considerada relevante para reduzir a incerteza regulatória e garantir previsibilidade aos investimentos, independentemente de mudanças de governo. O cenário indica que a capacidade instalada do setor permite ampliar a oferta de biodiesel sem necessidade imediata de expansão proporcional da estrutura produtiva. A elevação gradual da mistura obrigatória, acompanhada de testes técnicos, segurança regulatória e previsibilidade de demanda, poderia aumentar a participação do biocombustível no abastecimento nacional e reduzir a necessidade de importação de diesel, especialmente em períodos de maior consumo do setor agropecuário. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.