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09/Oct/2026

Compras chinesas nos EUA têm risco de revisão

A China comprometeu cerca de 13 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, aproximadamente metade da meta de 25 milhões de toneladas prevista para a temporada, mas os volumes correspondem a intenções de compra de empresas estatais, ainda não embarcadas e sujeitas a revisão. O cenário mantém o mercado internacional atento à efetivação dos compromissos e à evolução das relações comerciais entre China e Estados Unidos. O acordo foi estabelecido na Cúpula de Busan, em outubro de 2025, com previsão inicial de 12 milhões de toneladas da safra 2025/26 e ampliação para 25 milhões de toneladas nos ciclos seguintes. Havia ceticismo sobre o cumprimento dos volumes diante da menor competitividade da soja norte-americana em relação à brasileira. A Cúpula de Pequim, em maio de 2026, também não resultou em avanço relevante para o comércio de soja.

Em setembro, contudo, a China acelerou as compras da safra 2026/27 dos Estados Unidos, em movimento interpretado como possível sinal de boa-fé antes do encontro entre os líderes dos dois países. As aquisições foram concentradas nas empresas estatais chinesas, enquanto as esmagadoras privadas permaneceram fora das compras. A estrutura tarifária mantém a soja brasileira em vantagem. O produto norte-americano está sujeito a tarifa de 13% na China, ante 3% para a soja brasileira, diferença que reduz a competitividade da oleaginosa dos Estados Unidos para as esmagadoras privadas. O mercado esperava que o encontro entre os governos resultasse em redução da tarifa adicional de 10% aplicada pela China, mas, segundo o Outlook 2026 da StoneX, a soja não foi incluída nas medidas de alívio tarifário. Os compromissos de compra, portanto, ainda não representam garantia de embarque integral.

Embora a ausência de cancelamentos seja considerada possível caso as negociações avancem conforme o esperado, as empresas estatais chinesas ainda não demonstraram compromisso definitivo com todo o volume anunciado e parte relevante da soja ainda não foi embarcada. O mercado, entretanto, vem incorporando os compromissos como se representassem uma demanda já consolidada. O movimento de compras chinesas contribuiu para a valorização da soja em Chicago. Segundo o Outlook 2026 da StoneX, os contratos chegaram próximos da máxima em quase três anos e acumulam alta de 14,8% no trimestre, embora tenham devolvido parte dos ganhos posteriormente. O comportamento contrasta com 2025, marcado por estagnação e retomada das tensões comerciais entre China e Estados Unidos. O petróleo também contribuiu para a sustentação da soja em 2026, considerando a sensibilidade do óleo de soja ao diesel e os efeitos desse mercado sobre a formação de preços da oleaginosa.

A combinação entre demanda chinesa potencial, energia e expectativas sobre o comércio internacional mantém os preços sujeitos a elevada volatilidade. O calendário das negociações entre China e Estados Unidos continua relevante para a formação das expectativas. Há pelo menos dois novos encontros previstos entre Xi Jinping e Donald Trump em 2027, que podem ampliar o poder de negociação da China em busca de condições comerciais mais favoráveis. A trégua tarifária entre os dois países foi prorrogada até 10 de janeiro de 2027, mantendo o ambiente de incerteza sobre a continuidade dos compromissos de compra e sobre a distribuição da demanda chinesa entre os principais fornecedores globais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.