09/Oct/2026
A colheita de soja nos Estados Unidos, atrasada pelas chuvas em Estados produtores, mantém o balanço de curto prazo mais ajustado e dá sustentação aos preços na Bolsa de Chicago. A entrada de uma safra elevada no mercado, contudo, deve aumentar a disponibilidade nas próximas semanas e reduzir o prêmio acumulado até setembro, colocando maior pressão sobre as cotações até o fim do ano. A área plantada com soja nos Estados Unidos aumentou em detrimento do milho, enquanto não foram registrados problemas climáticos relevantes durante o ciclo. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta aumento de cerca de 6% na produção, para 123,4 milhões de toneladas.
A StoneX prevê até 126 milhões de toneladas, considerando a produtividade possível, o que mantém espaço para revisões e eventuais surpresas positivas na oferta. A elevada produção prevista tende a encontrar suporte adicional na demanda por biocombustíveis. As metas de mistura de biodiesel e diesel renovável estão mais ambiciosas que as anteriores, com expectativa de crescimento também em 2027. A combinação de preços remuneradores para óleo e farelo mantém as margens de esmagamento favoráveis, enquanto o processamento, que normalmente cresce de forma sazonal no quarto trimestre, deve superar o ritmo observado em anos anteriores.
Em setembro, entretanto, o processamento pode ficar abaixo do inicialmente esperado em razão do atraso na colheita. A normalização do fluxo de soja para as indústrias é esperada a partir de novembro, à medida que os trabalhos de campo avancem e aumente a disponibilidade da oleaginosa para esmagamento. Nas exportações, a China deve ampliar as compras em relação à temporada anterior, quando ficaram limitadas a 12 milhões de toneladas. A maior demanda chinesa reduz parte do excedente disponível nos Estados Unidos e contribui para um balanço doméstico mais apertado.
O Outlook 2026 da StoneX projeta estoques finais norte-americanos de 8,4 milhões de toneladas, queda de 4,6%. A relação entre estoques e consumo também deve permanecer em um dos níveis mais baixos dos últimos quatro ou cinco ciclos, segundo projeções do USDA. Esse cenário limita parcialmente a pressão exercida pelo aumento da produção, embora a magnitude da safra norte-americana e o ritmo de entrada do produto no mercado continuem sendo determinantes para a formação dos preços. O petróleo constitui outro fator de influência sobre a soja.
O óleo de soja apresenta sensibilidade ao mercado de diesel, o que estabelece uma conexão indireta com os preços da oleaginosa. Contudo, o repasse da valorização do petróleo por meio do óleo de soja não representa fundamento decisivo para a formação das cotações em Chicago, embora contribua para elevar a volatilidade. Nos próximos dois meses, a entrada de grandes volumes de soja norte-americana no mercado deve ampliar a pressão sobre Chicago. Esse efeito tende a diminuir à medida que a produção seja absorvida pelas indústrias de esmagamento e pelo mercado exportador. A chegada da nova safra dos Estados Unidos, portanto, deve permanecer como um dos principais fatores de pressão sobre os preços internacionais até o fim de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.