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09/Oct/2026

Brasil: calor e chuva irregular ameaçam safra 2026/27

O calor e a previsão de chuvas abaixo da média na Região Centro-Oeste e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) em novembro e dezembro representam risco ao plantio e ao desenvolvimento da soja brasileira na safra 2026/27. A StoneX mantém a estimativa de produção brasileira em 183,4 milhões de toneladas, alta de 0,4% ante o ciclo anterior. A combinação de temperaturas elevadas e menor disponibilidade de água exige atenção nas áreas em fase de semeadura e nas lavouras em desenvolvimento. Essas condições podem atrasar o plantio e limitar o potencial produtivo da oleaginosa. O risco é ampliado pelo fato de que temperaturas mais elevadas aumentam a necessidade de água das plantas justamente em um período no qual a precipitação pode ser insuficiente para preservar a umidade do solo.

O cenário de novembro e dezembro concentra preocupação principalmente no Matopiba e nas áreas onde o avanço dos trabalhos de campo estiver atrasado. A evolução do balanço hídrico será determinante para definir o ritmo de implantação das lavouras e o potencial de rendimento da soja ao longo do ciclo. A distribuição das chuvas também será um fator relevante. Para as próximas quatro semanas, a previsão é de volumes mais regulares em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em Santa Catarina, no sul do Paraná e no norte do Rio Grande do Sul, contudo, a precipitação pode ficar concentrada em apenas uma das semanas, o que torna necessário acompanhar os intervalos de estiagem e não apenas o volume acumulado ao longo do período.

Entre 14 e 20 de outubro, a previsão aponta aumento das precipitações nas áreas agrícolas brasileiras, com volumes acima da média em partes de Minas Gerais, São Paulo e Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul. A distribuição temporal das chuvas será importante para determinar a continuidade das operações de campo e a manutenção das condições de umidade necessárias ao estabelecimento das lavouras. Para o restante do quarto trimestre, o Sul do Brasil tende a apresentar maior disponibilidade de água, condição potencialmente favorável à soja. O excesso de umidade, entretanto, pode dificultar a entrada de máquinas e comprometer as operações de plantio. O impacto sobre a produção dependerá da intensidade e da persistência das chuvas, além do estágio de desenvolvimento das lavouras em cada região. O histórico de episódios fortes de El Niño evidencia diferenças importantes entre as regiões produtoras.

Em Mato Grosso, a produtividade da soja recuou 8,3% em 2015/16 e 15,8% em 2023/24 na comparação com os respectivos ciclos anteriores. No Rio Grande do Sul, houve queda de 0,7% no primeiro período e recuperação de 43,3% no segundo, quando o desempenho gaúcho compensou parte das perdas observadas em outras áreas produtoras e no resultado nacional. A projeção de crescimento da safra brasileira em 2026/27 considera uma área levemente maior, mas contempla produtividades distintas entre os Estados sob influência do fenômeno climático. As condições iniciais para o plantio são favoráveis, embora eventuais revisões de produtividade ainda possam alterar a estimativa de produção. A evolução do clima nos próximos meses permanece, portanto, como o principal fator de risco para a oferta brasileira de soja, especialmente no Centro-Oeste e no Matopiba. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.