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09/Oct/2026

Brasil se mantém como principal fornecedor à China

A China deve ampliar as compras de soja dos Estados Unidos no fim de 2026 e no início de 2027, período de menor disponibilidade de soja da América do Sul, mas a relação tende a perder força a partir da próxima temporada, diante da perspectiva de uma safra brasileira mais competitiva em preço. Nesse cenário, os Estados Unidos devem atuar como fornecedor sazonal da China, enquanto o Brasil tende a recuperar a preferência chinesa com o avanço da nova safra. A China vem recompondo estoques de diversas commodities, incluindo soja, e intensificou as compras quando o produto brasileiro apresentava maior desconto. O Outlook 2026 da StoneX aponta estoques de soja nos portos chineses próximos do recorde, em 9,4 milhões de toneladas. Apesar desse elevado nível de disponibilidade, a demanda por importações permanece sustentada pela necessidade de abastecimento das indústrias de esmagamento.

As margens de esmagamento, que permaneceram pressionadas durante cerca de um ano em razão das condições do mercado de suínos, apresentaram recuperação nos últimos meses. A melhora sustenta a demanda chinesa por soja importada, embora as margens ainda permaneçam sob pressão. Dessa forma, os estoques elevados não eliminam a necessidade de novas compras externas nos próximos meses, mas a expectativa é de que o volume total importado pela China fique abaixo do registrado na temporada anterior. O quarto trimestre e o primeiro trimestre de 2027 são tradicionalmente períodos de menor importação chinesa de soja devido à menor disponibilidade de produto na América do Sul. Nessa janela, os Estados Unidos assumem papel de fornecedor sazonal, e não necessariamente de concorrente direto do Brasil.

Os embarques brasileiros tendem a diminuir nos próximos meses, justamente quando as estatais chinesas ampliam as compras de soja norte-americana. A cobertura chinesa de estoques é mais estreita entre dezembro e fevereiro, especialmente em janeiro, aumentando a necessidade de reposição durante esse período. Uma concentração maior das compras chinesas nos Estados Unidos no quarto trimestre pode elevar o prêmio da soja norte-americana. Esse diferencial havia recuado para cerca de US$ 70 por tonelada em relação ao produto brasileiro em meados de julho, favorecendo a competitividade dos Estados Unidos no mercado chinês. A meta de compra de 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos tende a funcionar como um limite para a expansão dessa relação comercial. Com as tarifas atualmente em vigor, a China tem menor incentivo econômico para ampliar as compras norte-americanas além desse volume.

A demanda adicional tende a ser direcionada ao Brasil e à Argentina, que também aumentou os embarques de soja para a China no último ano. A perspectiva de uma safra brasileira elevada e competitiva em 2027 reforça a tendência de retomada da preferência pelo produto do Brasil. A relação comercial entre China e Estados Unidos tende a perder força caso permaneça a tarifa de 10%, reduzindo a competitividade relativa da soja norte-americana após a normalização da oferta sul-americana. Entre os principais riscos de baixa para o mercado está a possibilidade de desaceleração do ritmo das importações chinesas, especialmente em um cenário de demanda mais fraca por farelo de soja. Esse fator pode limitar a necessidade de novas compras externas e reduzir o suporte às cotações internacionais da oleaginosa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.