13/Oct/2026
A eventual compra de 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos pela China poderá apertar o balanço norte-americano em 2026/27, mesmo que a safra supere a estimativa atual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Nesse cenário, parte da demanda de outros importadores poderá ser deslocada para o Brasil. O volume de 25 milhões de toneladas equivale a aproximadamente 919 milhões de bushels, mais da metade das exportações norte-americanas projetadas pelo USDA para a safra 2026/27, de 46,13 milhões de toneladas. A concentração de uma parcela expressiva dos embarques em compras chinesas reduziria a disponibilidade para outros destinos e ampliaria a possibilidade de redirecionamento da demanda internacional para a soja brasileira. Para evitar que outros compradores precisem buscar fornecedores alternativos, a produtividade norte-americana teria de se aproximar de 3,70 toneladas por hectare.
É possível que o USDA eleve novamente a produtividade da soja norte-americana no relatório de oferta e demanda mundial (Wasde) de novembro. Os resultados recentes da colheita têm superado as expectativas, inclusive em áreas do noroeste do Meio Oeste que enfrentaram condições de seca. Nas Dakotas e em Minnesota, há lavouras com rendimentos acima das estimativas anteriores à colheita. No Wasde divulgado em 9 de outubro, o USDA elevou a produtividade estimada da soja dos Estados Unidos para 3,57 toneladas por hectare, ante 3,55 toneladas por hectare na projeção de setembro. A produção foi revisada para cima, alcançando 124,15 milhões de toneladas. O USDA também elevou a previsão de exportações norte-americanas para 46,13 milhões de toneladas, ante 45,86 milhões de toneladas na estimativa anterior. Os estoques finais passaram de 8,43 milhões de toneladas, para 8,57 milhões de toneladas. O próximo relatório está previsto para 10 de novembro.
No comércio exterior, as vendas de soja norte-americana começaram a temporada no ritmo mais acelerado em quatro anos, enquanto as inspeções de exportação atingiram o maior nível em seis anos. A China responde pela maior parte dos volumes embarcados, reforçando a importância da demanda chinesa para o escoamento da safra dos Estados Unidos. No cenário global, o USDA manteve a estimativa de produção brasileira de soja em 186 milhões de toneladas e a projeção de exportações do País em 118 milhões de toneladas. As importações chinesas permaneceram estimadas em 115 milhões de toneladas. O quadro de oferta e demanda indica que o volume efetivamente adquirido pela China, a evolução da produtividade norte-americana e o ritmo do esmagamento serão determinantes para o equilíbrio do mercado em 2026/27. Caso as compras chinesas atinjam 25 milhões de toneladas e a produção dos Estados Unidos não cresça o suficiente para compensar a demanda, o Brasil poderá ganhar espaço no atendimento de outros importadores, ampliando a concorrência entre os dois principais fornecedores globais de soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.