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14/Oct/2026

EUA: oferta de farelo de soja deve pressionar preço

Os preços do farelo de soja nos Estados Unidos tendem a recuar quando o atual aperto de oferta perder intensidade, uma vez que o crescimento da demanda ainda não é suficiente para absorver a expansão esperada da produção na safra 2026/27. Segundo a Stag International, o consumo doméstico e as exportações precisariam crescer conjuntamente cerca de 3 milhões de toneladas curtas, equivalentes a 2,7 milhões de toneladas, para acompanhar o aumento projetado do esmagamento norte-americano. Nesse cenário, a redução dos preços seria necessária para estimular a demanda interna e externa e absorver a oferta adicional. No curto prazo, o mercado ainda enfrenta restrições de disponibilidade. A qualidade inferior da soja recém-colhida, a capacidade limitada das esmagadoras e as interrupções no processamento, incluindo o incêndio na unidade da Cargill em Owensboro, mantiveram a oferta de farelo apertada.

As chuvas recentes no Meio Oeste também aumentaram as incertezas sobre o ritmo de normalização do abastecimento. Esse cenário sustentou spreads elevados, que representam as diferenças de preços entre contratos com vencimentos distintos. A força desses diferenciais indica que o aperto físico do mercado está persistindo por mais tempo do que o inicialmente previsto. A expectativa, entretanto, é de melhora na disponibilidade de soja no fim de outubro e ao longo de novembro, com o avanço da colheita. O crescimento anual do esmagamento deverá se tornar mais expressivo em novembro e acelerar em dezembro, ampliando a produção de farelo e aumentando a pressão sobre as cotações. Os indicadores de demanda ainda não apontam uma expansão suficiente para absorver o volume adicional projetado. As vendas semanais de farelo de soja para exportação alcançaram cerca de 1 milhão de toneladas na divulgação mais recente, ante expectativa do mercado próxima de 300 mil toneladas.

Uma parcela relevante desse volume, porém, correspondeu à transferência de negócios da temporada anterior para a nova safra, e não a novas compras, o que reduz a força do sinal de crescimento da demanda. Os compromissos acumulados de exportação da nova temporada estão próximos de 5 milhões de toneladas, ligeiramente acima do volume registrado no mesmo período do ano passado. Esse resultado ainda não caracteriza uma aceleração consistente da demanda externa. No mercado doméstico, o consumo norte-americano de farelo continua crescendo, mas em ritmo menor, com estimativas da consultoria indicando desaceleração da expansão anual desde abril. A competitividade internacional também limita o potencial de crescimento das exportações dos Estados Unidos. O farelo produzido na América do Sul permanece mais competitivo do que o produto norte-americano, restringindo o espaço para avanço das vendas externas dos Estados Unidos.

Além disso, os preços elevados no curto prazo reduzem o incentivo para que os compradores ampliem o consumo, reforçando a necessidade de ajuste das cotações para estimular a absorção da oferta adicional. O momento da normalização do abastecimento permanece como a principal incerteza. Incêndios, furacões e condições climáticas adversas adiaram a recuperação da oferta em sucessivas ocasiões, enquanto a concorrência das exportações pela soja recém-colhida reduz a disponibilidade de matéria-prima para esmagamento. Caso a colheita avance e as operações industriais sejam normalizadas nas próximas semanas, o aumento da produção de farelo poderá intensificar a pressão baixista sobre os preços na safra 2026/27, especialmente se a demanda doméstica e externa não acelerar na mesma proporção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.