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14/Oct/2026

EUA: relatório do USDA pressiona Bolsa de Chicago

Segundo o Rabobank, o relatório de oferta e demanda de produtos agrícolas (Wasde) de outubro, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), elevou as estimativas de estoques finais de milho, soja e trigo no país, com reflexos sobre as cotações na Bolsa de Chicago. Os números podem influenciar as decisões de plantio para a safra 2027/28, com possibilidade de expansão da área de soja nos Estados Unidos. No milho, o USDA elevou a estimativa de produtividade média. Com isso, a produção projetada é de 407,28 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais da nova safra avançaram para 46,97 milhões de toneladas. A revisão reforçou a perspectiva de maior disponibilidade do cereal no mercado norte-americano. Considerando também os efeitos do relatório trimestral de estoques divulgado no fim de setembro, as cotações do milho na Bolsa de Chicago recuaram cerca de US$ 0,40 por bushel. O avanço da colheita, entretanto, enfrenta atrasos em algumas regiões produtoras.

Em Iowa, apenas 7% da área de milho havia sido colhida até 4 de outubro, ante média de 20% nos últimos cinco anos, devido ao volume de chuvas. Mesmo com o ritmo mais lento dos trabalhos de campo, o USDA manteve a estimativa de produtividade recorde para o Estado. O quadro de maior oferta de milho também começa a influenciar as perspectivas de plantio para 2027, com possibilidade de aumento da área destinada à soja. Na soja, a produtividade média estimada pelo USDA subiu, estabelecendo novo recorde. Os estoques finais da safra anterior foram revisados para 8,58 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais da nova temporada devem ser de 8,57 milhões de toneladas. A combinação de produtividade elevada e estoques maiores amplia a disponibilidade projetada no mercado norte-americano e constitui um fator relevante para as decisões de alocação de área entre soja e milho no próximo ciclo. No cenário internacional, o USDA reduziu a estimativa de produção de milho da União Europeia para menos de 50 milhões de toneladas e manteve inalteradas as projeções para Brasil e Argentina.

Entretanto, estimativas combinadas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicam produção conjunta dos dois países sul-americanos cerca de 20 milhões de toneladas superior ao volume atualmente projetado pelo USDA. Essa diferença evidencia a possibilidade de revisões no balanço global do cereal à medida que as estimativas regionais forem atualizadas. No mercado de trigo, os estoques finais dos Estados Unidos para a safra 2026/27 aumentaram para 20,14 milhões de toneladas, em razão da redução das projeções de exportação. Após a divulgação do relatório, as cotações recuaram cerca de US$ 0,20 por bushel. A revisão indica maior disponibilidade interna do cereal e menor expectativa de escoamento externo, fatores que podem limitar a sustentação dos preços no mercado norte-americano. Na região do Mar Negro, o USDA reduziu em 3 milhões de toneladas a estimativa de exportações russas de trigo e manteve inalterada a projeção para a Ucrânia.

Além das mudanças no comércio internacional, as condições econômicas enfrentadas pelos produtores representam um risco para a próxima temporada. Descontos de 10% a 40% nos preços recebidos nas propriedades, combinados ao aumento dos custos de produção, podem desestimular o plantio e reduzir a área destinada ao trigo de inverno da safra 2027/28. O relatório de outubro reforça um cenário de maior disponibilidade projetada de milho e soja nos Estados Unidos, com possíveis consequências para os preços e para a distribuição das áreas de plantio no próximo ciclo. No trigo, o aumento dos estoques norte-americanos e a redução das exportações russas convivem com riscos de menor área semeada na região do Mar Negro. A evolução das condições climáticas, do ritmo de colheita e das decisões de plantio será determinante para a confirmação dos balanços de oferta e demanda nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.