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15/Oct/2026

Bolsa de Chicago: preços oscilam em faixa estreita

Segundo a Stag International, os preços da soja devem permanecer em faixa estreita na Bolsa de Chicago, com volatilidade contida até o surgimento de novos fatores capazes de alterar a direção do mercado. Entre os possíveis catalisadores estão as compras chinesas, o aumento da competitividade da soja norte-americana em outros destinos e eventuais mudanças nas condições climáticas brasileiras. A produtividade dos Estados Unidos acima do esperado limita o potencial de valorização no curto prazo, enquanto os estoques relativamente apertados no país oferecem sustentação às cotações. Ainda não há prêmio climático incorporado aos preços, mas os riscos para a safra brasileira permanecem em aberto. O relatório de oferta e demanda de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), elevou a estimativa de produtividade da soja norte-americana na safra 2026/27 para 3,57 toneladas por hectare. A projeção superou a expectativa média do mercado.

A revisão foi sustentada pela maior contagem de vagens em Illinois, Kansas e Indiana. Considerando essa produtividade e exportações de 25 milhões de toneladas para a China e de 21 milhões de toneladas para os demais destinos, os estoques finais norte-americanos são estimados em aproximadamente 8,6 milhões de toneladas. Mesmo com uma safra robusta, o balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos deve permanecer relativamente ajustado em 2026/27, limitando o impacto do aumento da produção sobre os estoques e contribuindo para evitar uma pressão mais intensa sobre os preços. A China mantém ritmo moderado de compras após o feriado da Semana Dourada, movimento associado às margens reduzidas de esmagamento no país. Ainda assim, o volume necessário para atingir a meta de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana até dezembro mantém o mercado atento à evolução das negociações. O ritmo das aquisições chinesas não é considerado preocupante neste momento.

Os encontros previstos entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em novembro, na China, e em dezembro, durante a cúpula do G20, na Flórida, também integram o conjunto de fatores acompanhados pelo mercado. Para os demais destinos, o cenário é menos favorável aos Estados Unidos. As vendas externas norte-americanas perderam força nas últimas semanas, apesar de a soja do país apresentar maior competitividade em relação ao produto brasileiro no quarto trimestre. A parcela da safra disponível para compradores fora da China tende a diminuir em razão dos compromissos de fornecimento ao mercado chinês e da expansão do esmagamento doméstico. Nesse contexto, a projeção é de exportações menores para esses destinos. Os Estados Unidos precisarão manter preços competitivos para assegurar demanda suficiente. No Brasil, o plantio da soja em Mato Grosso alcançou 33% da área prevista, acima da média de cinco anos, de 25%, e dos 21% registrados na mesma etapa da safra anterior.

As previsões indicam chuvas generalizadas nas duas semanas seguintes, concentradas no Centro-Sul do País, enquanto as áreas do Norte devem permanecer relativamente mais secas e quentes. O modelo meteorológico norte-americano GFS projeta volumes de chuva inferiores aos estimados pelo modelo europeu ECMWF para Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Bahia. A umidade é favorável e o avanço acelerado da semeadura oferecem condições iniciais positivas para a safra brasileira. Entretanto, o excesso de precipitações em algumas áreas e a persistência da seca no Norte exigem monitoramento, especialmente diante da possibilidade de distribuição irregular das chuvas ao longo do desenvolvimento das lavouras. A consultoria trabalha com um padrão climático típico de El Niño até janeiro, embora os efeitos do fenômeno ainda não estejam claramente definidos nesta fase inicial do plantio. Em novembro, as chuvas acima da média na Região Sul do Brasil e na Argentina tendem a favorecer o desenvolvimento inicial das lavouras.

Em contrapartida, a seca persistente no Norte, sobretudo em áreas do Nordeste, aumenta o risco de estresse hídrico. Para dezembro, a previsão indica manutenção de condições favoráveis de umidade na Argentina, no Uruguai e no Sul do Brasil, além de chuvas adequadas na região central brasileira e volumes abaixo da média no Norte. Em janeiro, a disponibilidade de chuva no Norte tende a melhorar. Os principais riscos climáticos para a soja brasileira estão concentrados nas regiões setentrionais do País. No comércio exterior, a Stag elevou em 1 milhão de toneladas sua projeção de exportações brasileiras de soja para outubro. A revisão decorre da transferência para o mês de volumes que deveriam ter sido embarcados em setembro, e não de um aumento adicional da demanda. A estimativa para as exportações brasileiras em todo o ano foi mantida em 115 milhões de toneladas. Os prêmios FOB da soja brasileira da nova safra enfraqueceram, com o ajuste concentrado nos embarques previstos até o fim de novembro.

A evolução das chuvas em dezembro no Centro-Oeste, período crítico para a formação da produtividade, será determinante para a trajetória dos prêmios. Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis, os diferenciais poderão recuar ainda mais para ampliar a competitividade do produto brasileiro frente à soja norte-americana. Por outro lado, a materialização de riscos climáticos poderá oferecer sustentação aos prêmios. No curto prazo, o mercado deve continuar condicionado à combinação entre o balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos, o ritmo das compras chinesas, a competitividade das exportações norte-americanas e as condições climáticas no Brasil. A produtividade elevada nos Estados Unidos limita o potencial de alta, mas os estoques relativamente ajustados e a possibilidade de problemas climáticos na safra sul-americana mantêm fatores de sustentação para as cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.