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16/Oct/2026

Óleo de Soja: proposta da EPA favorece demanda

A proposta da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) de redistribuir integralmente as isenções concedidas a pequenas refinarias melhora as perspectivas de demanda por biocombustíveis e óleo de soja, mas a ampla oferta global e a indefinição sobre o cronograma de implementação limitam o potencial de valorização no curto prazo. A avaliação é da Stag International, que projeta os contratos futuros do óleo de soja entre US$ 0,64 e US$ 0,69 por libra-peso, equivalentes a US$ 1.411,00 a US$ 1.521,00 por tonelada, enquanto o mercado aguarda maior clareza regulatória e sinais de restrição da oferta física. A EPA propôs redistribuir entre refinarias maiores as obrigações de mistura de biocombustíveis dispensadas às pequenas refinarias em 2025. Os RINs são créditos utilizados pelas refinarias para comprovar o cumprimento das metas de incorporação de combustíveis renováveis.

Das isenções concedidas, que abrangem 1,76 bilhão de RINs, cerca de 770 milhões ficaram acima do volume já considerado nas regras para 2026 e 2027. A redistribuição restabeleceria essa parcela das obrigações e poderia ampliar a demanda por etanol e diesel de biomassa. O principal ponto de incerteza é o calendário de implementação. A EPA avalia duas alternativas: distribuir o volume adicional entre 2026 e 2027 ou concentrar integralmente a redistribuição em 2027. A consulta pública permanece aberta até 4 de dezembro, e a decisão definitiva ainda poderá sofrer alterações. No cenário calculado pela Stag em que 43% das obrigações adicionais sejam incorporadas em 2026, a exigência total de combustíveis renováveis aumentaria de 26,81 bilhões para aproximadamente 27,14 bilhões de RINs, acréscimo de 331 milhões de unidades.

Caso todo o ajuste seja transferido para 2027, a obrigação daquele ano passaria de 27,02 bilhões para cerca de 27,79 bilhões de RINs. A proposta representa uma melhora em relação ao cenário de incerteza observado em agosto, quando as isenções ampliaram o risco de redução da demanda por biocombustíveis e os contratos futuros do óleo de soja recuaram cerca de US$ 0,06 por libra-peso, equivalentes a US$ 132 por tonelada. Na avaliação da consultoria, a redistribuição é estruturalmente favorável à demanda por óleo de soja e às margens de esmagamento nos Estados Unidos, embora o momento de implementação continue sendo determinante para a intensidade dos efeitos sobre o mercado. A reação dos preços, entretanto, foi limitada. A pequena queda dos RINs após o anúncio indica que parte da mudança regulatória já estava incorporada às expectativas dos agentes.

Também persistem riscos relacionados ao calendário, à implementação e a possíveis contestações jurídicas ou manifestações contrárias à medida. Entre os fundamentos favoráveis à demanda, os estoques norte-americanos de óleo de soja permanecem baixos em relação à média histórica. A geração de RINs D4, associados ao biodiesel, está abaixo do necessário para cumprir as metas, enquanto o crescimento da oferta de matérias-primas alternativas apresenta desaceleração. Em sentido contrário, interrupções temporárias em unidades de diesel renovável, preços elevados do farelo de soja e disponibilidade abundante de soja na América do Sul reduzem a pressão compradora no curto prazo. No Brasil, os prêmios FOB do óleo de soja para embarques em novembro e dezembro permanecem em uma faixa estreita, sem recuperação consistente.

Na Argentina, o fluxo de caminhões que transportam soja para as unidades de processamento não apresenta redução relevante, indicando disponibilidade suficiente de matéria-prima para o esmagamento. Os dois indicadores apontam ausência de restrição física na América do Sul capaz de sustentar uma valorização prolongada dos prêmios de exportação. A oferta global de outros óleos vegetais também limita o potencial de alta. Os estoques de óleo de palma na Malásia estão em níveis recordes, e a redução das tarifas indianas de importação de óleos vegetais ainda não foi suficiente para absorver o excedente. Além disso, eventuais problemas de oferta associados ao El Niño ainda não se materializaram de forma relevante, reduzindo a possibilidade de um choque climático de oferta no curto prazo. Nos Estados Unidos, a colheita de soja avança sem grandes problemas.

Uma produtividade próxima de 3,56 toneladas por hectare deverá assegurar matéria-prima suficiente para ampliar o esmagamento doméstico. Se as condições climáticas permanecerem favoráveis no Brasil e na Argentina, a oferta sul-americana também deverá ser suficiente para atender às importações e ao crescimento do processamento. Nesse contexto, a Stag considera haver pouca justificativa para incorporar um prêmio adicional de risco de oferta às cotações neste momento. Os próximos fatores capazes de alterar a trajetória do mercado são a normalização dos preços do farelo de soja, a retomada da produção nas unidades de diesel renovável e a evolução das condições climáticas na América do Sul. Até que esses elementos produzam mudanças mais consistentes nos fundamentos, o impacto da proposta da EPA dependerá principalmente do calendário de redistribuição das obrigações e da resposta da produção de biocombustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.