19/Oct/2026
Conforme estudo da Associação Americana de Soja (ASA), o aumento do consumo de óleo de soja para a produção de biocombustíveis nos Estados Unidos poderá compensar, no ano comercial 2026/27, a pressão baixista sobre os preços do grão decorrente da menor demanda externa. O efeito positivo não foi suficiente nos dois ciclos anteriores, mas poderá superar a pressão das exportações mais fracas no próximo ano comercial, divulgado em 14 de outubro. A maior demanda do setor de biocombustíveis deve acrescentar cerca de US$ 0,42 por bushel, equivalente a aproximadamente US$ 15,00 por tonelada, ao preço da soja em 2026/27, na comparação com as condições de 2023/24. A análise compara o mercado atual ao de 2023/24 e procura isolar os efeitos de duas mudanças: a redução das exportações de soja em grão e o crescimento do consumo doméstico de óleo de soja para a produção de biodiesel e diesel renovável.
Entre 2020 e 2025, o volume de óleo de soja destinado à produção de biocombustíveis nos Estados Unidos aumentou de cerca de 4 milhões de toneladas para aproximadamente 6,4 milhões de toneladas. O avanço criou uma nova fonte relevante de demanda interna e estimulou investimentos na capacidade de esmagamento. Ao mesmo tempo, a demanda externa permanece abaixo dos níveis históricos. Em 2024/25, a combinação entre a redução das exportações e o crescimento do consumo de óleo de soja para biocombustíveis resultou em uma queda de US$ 0,87 por bushel, equivalente a US$ 32,00 por tonelada, no preço do grão em relação a 2023/24. O aumento da demanda doméstica, portanto, não foi suficiente para neutralizar a pressão baixista das exportações mais fracas. Para 2025/26, a ASA estima que a perda de demanda externa reduza o preço da soja entre US$ 1,60 e US$ 2,10 por bushel, o equivalente a aproximadamente US$ 59,00 a US$ 77,00 por tonelada.
A maior demanda por biocombustíveis acrescentaria entre US$ 0,22 e US$ 0,29 por bushel, cerca de US$ 8,00 a US$ 11,00 por tonelada. O saldo dos dois efeitos seria uma redução de US$ 1,38 a US$ 1,81 por bushel, equivalente a US$ 51,00 a US$ 67,00 por tonelada. O cenário projetado para 2026/27 é diferente. O consumo adicional de óleo de soja para biocombustíveis deverá acrescentar cerca de US$ 0,42 por bushel ao preço do grão em relação a 2023/24. Com a recuperação prevista das exportações, o efeito combinado dos dois fatores seria positivo em aproximadamente US$ 0,18 por bushel, equivalente a cerca de US$ 7,00 por tonelada. A entidade considera o uso de óleo de soja na produção de biocombustíveis uma fonte crescente de demanda interna, capaz de reduzir os efeitos da perda de compradores externos, embora as exportações continuem sendo determinantes para a formação dos preços. A China evidencia a importância do mercado externo para a soja norte-americana.
A China historicamente compra 22 milhões de toneladas ou mais de soja dos Estados Unidos por ano comercial. Paralelamente, a produção brasileira aumentou a cada ano desde a seca de 2023/24, ampliando a concorrência enfrentada pelos produtores norte-americanos. Os autores estimam que a retomada das compras chinesas resulte em um aumento anual de US$ 1,40 a US$ 1,90 por bushel no preço da soja em 2026/27, equivalente a aproximadamente US$ 51,00 a US$ 70,00 por tonelada, dependendo das premissas adotadas para a produção dos Estados Unidos. O efeito da demanda por biocombustíveis é mais direto sobre os preços do óleo de soja. A contribuição positiva desse consumo deverá aumentar de 8,39 centavos de dólar por libra-peso em 2025/26, equivalentes a cerca de US$ 185,00 por tonelada, para 15,67 centavos em 2026/27 (US$ 345,00 por tonelada). Segundo o estudo, esse incremento mais do que compensaria a pressão associada à menor demanda externa pelo grão, evidenciando a crescente influência dos mercados domésticos de energia sobre as cotações do óleo de soja, além dos fatores tradicionais do mercado agrícola.
Para o farelo de soja, o efeito é inverso. O aumento da demanda por óleo tende a estimular o esmagamento da soja e, consequentemente, elevar a produção de farelo. Para 2026/27, a ASA estima que a expansão do uso de biocombustíveis reduza o preço do farelo em US$ 30,00 por tonelada na comparação com 2023/24. A menor demanda externa pela soja em grão provocaria uma redução adicional de US$ 4,00 por tonelada. O impacto sobre a receita dos produtores também foi significativo. A redução da demanda externa em 2024/25 representou uma perda de pelo menos US$ 3,55 bilhões em relação a 2023/24. Para 2026/27, contudo, as estimativas permanecem condicionadas às projeções de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e poderão mudar conforme revisões nas perspectivas de produção, exportações e consumo de óleo de soja para biocombustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.