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19/Oct/2026

Bolsa de Chicago: preço no menor nível desde agosto

Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago recuaram ao menor nível desde o fim de agosto, apesar da retomada das compras chinesas e das margens elevadas das indústrias de esmagamento nos Estados Unidos. Os preços seguem pressionados pelos relatos de produtividade acima das expectativas na colheita norte-americana e pela perspectiva preliminar de uma safra volumosa na América do Sul. A soja apresentou maior resistência do que milho e trigo à pressão observada nas últimas semanas, mas os resultados da colheita norte-americana começam a pesar sobre as cotações. Relatos de produtores indicam rendimentos da oleaginosa superiores às expectativas em diversas regiões. O milho também registra resultados positivos, embora haja mais casos de produtividade abaixo do esperado pelos produtores. A pressão sobre os preços ocorre mesmo com a China novamente ativa no mercado norte-americano. Exportadores dos Estados Unidos venderam cerca de 327 mil toneladas, diretamente ao país asiático em 15 de outubro, além de outras 272 mil toneladas, para destinos não revelados.

Também há informações divulgadas pela Bloomberg sobre a aquisição de outras 20 cargas por compradores chineses, ainda não incorporadas aos dados oficiais acompanhados pela Standard Grain. Considerando as vendas oficialmente registradas e os negócios recentes, as compras chinesas alcançaram 11,94 milhões de toneladas, equivalentes a 47,7% das 25 milhões de toneladas que integram o compromisso anual de aquisições do país asiático. Parte das vendas registradas com destino desconhecido também pode ter a China como compradora. A avaliação é de que o volume de 25 milhões de toneladas poderá ser alcançado. Mais adiante, o mercado também deverá acompanhar quando a China iniciará as compras da safra norte-americana de 2027, uma vez que o compromisso anunciado se estende pelos próximos anos. Outro fator de pressão foi o relatório de esmagamento de setembro da Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (Nopa).

As empresas associadas processaram 5,34 milhões de toneladas, abaixo das 5,54 milhões de toneladas esperadas pelo mercado. O volume foi o menor em 13 meses. O resultado, contudo, não indica necessariamente enfraquecimento da demanda industrial. Parte das processadoras enfrentou dificuldades para obter soja durante o período de chuvas que atrasou a colheita, especialmente no oeste do cinturão produtor. Nessas regiões, os prêmios pagos por entregas imediatas chegaram a superar US$ 1,00 por bushel. A limitação de matéria-prima ajuda a explicar o menor volume processado, enquanto as margens permanecem favoráveis à manutenção de um ritmo elevado de esmagamento assim que a soja estiver disponível. As margens de processamento foram estimadas em cerca de US$ 2,67 por bushel com base nos preços futuros e em aproximadamente US$ 4,00 por bushel nas condições efetivamente obtidas pelas indústrias. Nesse cenário, a expectativa é de que o esmagamento norte-americano alcance recorde na temporada, sustentado também pela demanda relacionada aos biocombustíveis.

Os estoques de óleo de soja dos Estados Unidos reforçam o quadro de oferta ajustada do derivado. No fim de setembro, estavam próximos de 1,05 bilhão de libras-peso, equivalentes a cerca de 476 mil toneladas, no menor nível desde novembro de 2014. O volume apresentou queda de 12% ante agosto e de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar desses fundamentos potencialmente positivos, o mercado atravessa um movimento de baixa, contexto no qual as informações têm sido interpretadas predominantemente como fatores de pressão sobre as cotações. A perspectiva de produção na América do Sul também influencia a formação dos preços. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra brasileira recorde de 181,62 milhões de toneladas de soja em 2026/2027, crescimento de 0,7% ante a temporada anterior, com aumento de 1,4% da área plantada. As exportações brasileiras estão estimadas em 117,97 milhões de toneladas, avanço de 1,5%.

A projeção da Conab está 4,38 milhões de toneladas abaixo da estimativa mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A diferença é relevante, mas não incomum, já que os dois órgãos frequentemente mantêm estimativas distintas para a safra brasileira durante vários meses antes de eventuais revisões. Até o momento, não há indicação de ameaça climática imediata à produção brasileira. O tempo mais seco no norte do País favoreceu o avanço do plantio nos últimos dias, enquanto a previsão citada pela Standard Grain indica chuvas equivalentes a 107% da média nas regiões produtoras de soja do Brasil nos próximos sete dias. Os modelos climáticos para dezembro, janeiro e fevereiro ainda exigem acompanhamento diante da influência do El Niño, mas as projeções atuais são consideradas prematuras para estimar perdas de produção. O desenvolvimento da safra sul-americana continuará dependente das condições meteorológicas ao longo dos próximos meses, sem ameaça imediata identificada no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.