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20/Oct/2026

Farelo de Soja: menor oferta sustenta preço nos EUA

A recente alta dos preços do farelo de soja nos Estados Unidos reflete principalmente um choque temporário de oferta, e não uma aceleração estrutural da demanda. A Stag International projeta que a recuperação do esmagamento norte-americano, à medida que aumente a disponibilidade de soja, reduza os prêmios e limite a valorização do produto. No curto prazo, porém, o mercado ainda pode enfrentar restrições de oferta física. O esmagamento de soja nos Estados Unidos ficou abaixo das expectativas em setembro. A Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (Nopa) registrou volume de 5,34 milhões de toneladas. Diante do resultado, a Stag reduziu a projeção de esmagamento total de setembro de 5,77 milhões de toneladas para 5,44 milhões de toneladas. Para outubro, a estimativa foi revisada de 6,72 milhões de toneladas para 5,91 milhões de toneladas.

A previsão para o ano comercial foi mantida em 74,6 milhões de toneladas, uma vez que o cenário reflete uma alteração no ritmo de processamento, e não uma redução estrutural da demanda. A manutenção de plantas industriais, as restrições operacionais e a oferta insuficiente de soja para processamento limitam o esmagamento norte-americano desde junho. Caso o ritmo de crescimento observado até aquele mês tivesse sido mantido, as indústrias dos Estados Unidos teriam processado pelo menos 1,63 milhão de toneladas de soja. Esse volume corresponde a pelo menos a 1,27 milhão de toneladas de farelo de soja que deixaram de chegar ao mercado. A redução da produção ajuda a explicar a restrição da oferta física, os prêmios elevados e a estrutura de preços em que os contratos de entrega próxima são negociados acima dos vencimentos mais distantes, configuração conhecida como backwardation.

A desaceleração recente decorre principalmente de uma interrupção provocada pela oferta em um setor de processamento que continua em expansão, sem evidências de deterioração estrutural da demanda por esmagamento. O aperto de oferta nos Estados Unidos coincide com a menor disponibilidade sazonal de farelo de soja na América do Sul. Os prêmios FOB, que representam o valor adicional cobrado sobre o contrato futuro para a entrega do produto no porto de embarque, avançaram nas principais origens exportadoras, especialmente nos contratos de curto prazo. Em condições sazonais normais, os preços sul-americanos tenderiam a favorecer entregas mais distantes. A estrutura atual, entretanto, apresenta valorização mais acentuada dos embarques próximos, sinalizando restrições de disponibilidade física. Os preços e prêmios elevados deveriam estimular o aumento da produção de farelo de soja no Brasil e na Argentina, mas a resposta ainda não ocorreu na intensidade necessária.

A Stag observa que as margens favoráveis de esmagamento não se converteram em crescimento proporcional do processamento, mantendo o mercado global exposto a um quadro de oferta restrita no curto prazo. Pelo lado da demanda, os indicadores são menos expressivos. Os compromissos de exportação de farelo de soja dos Estados Unidos somam 5,1 milhões de toneladas, ante 4,9 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. A diferença é pequena e não caracteriza uma aceleração estrutural das compras externas. Outro fator acompanhado pelo mercado é a entrada em vigor do Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), prevista para janeiro de 2027. Alguns importadores europeus podem antecipar as compras para garantir o abastecimento antes do prazo.

Além disso, eventuais dúvidas sobre a capacidade do Brasil de cumprir as exigências de rastreabilidade, que envolvem a comprovação da origem dos produtos, poderiam direcionar parte da demanda para os Estados Unidos. A Stag, contudo, considera prematuro projetar uma alteração relevante nos fluxos comerciais. Ainda há poucas evidências sobre a capacidade das esmagadoras brasileiras de atender às exigências do regulamento, enquanto os compromissos de exportação norte-americanos não indicam aceleração compatível com uma migração expressiva da demanda. Sem crescimento mais consistente dos compromissos de venda ou evidências concretas de desvio comercial provocado pelo EUDR, a corretora considera limitada a justificativa para a manutenção de um prêmio estrutural nos contratos futuros de farelo de soja.

Parte das vendas brasileiras destinadas à Europa também poderia ser substituída por produto argentino. O Brasil exporta cerca de 1 milhão de toneladas de farelo de soja para o mercado europeu, volume que poderia ser parcialmente compensado por embarques da Argentina caso surgissem restrições ao produto brasileiro. A principal variável para a evolução dos preços continua sendo a normalização do esmagamento nos Estados Unidos. O avanço da colheita norte-americana e as previsões climáticas favoráveis à continuidade dos trabalhos de campo devem ampliar a disponibilidade de soja para as indústrias e permitir a recuperação do processamento. Nesse cenário, a Stag avalia que a sustentação atual dos preços do farelo de soja decorre predominantemente de um choque temporário de oferta, e não de uma melhora estrutural dos fundamentos da demanda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.