20/Oct/2026
De acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado com patrocínio da Mosaic e do Itaú e divulgado nesta segunda-feira (19/10), a integração entre fertilizantes minerais e soluções biológicas pode ampliar a eficiência no aproveitamento de nutrientes e elevar a produtividade agrícola no Brasil, mas depende de adequações regulatórias para alcançar maior escala comercial. A pesquisa analisou ensaios conduzidos na safra 2024/25 com a cultura da soja em Sorriso (MT), Goiânia (GO), Selvíria (MS) e Botucatu (SP). Na comparação entre o uso de fosfato monoamônico (MAP) convencional e o MAP revestido com tecnologia biológica, a produtividade média aumentou 8,8%, passando de 57,8 para 62,1 sacas de 60 Kg por hectare. Com o ganho de rendimento, a intensidade média de carbono diminuiu 5,25%, de 20,97 Kg de CO₂ equivalente para 19,87 Kg de CO₂ equivalente por saca.
As emissões absolutas por hectare permaneceram estáveis na avaliação restrita às atividades realizadas dentro da propriedade rural. Os ganhos de produtividade proporcionaram receita bruta adicional estimada entre R$ 521,00 e R$ 768,00 por hectare na aplicação dos produtos no sulco de plantio e entre R$ 430,00 e R$ 598,00 por hectare na aplicação em área total. Em uma simulação para Sorriso (MT), considerando a aplicação de 2 litros da solução biológica por tonelada de fertilizante no sulco de plantio e um custo 30% superior ao do adubo convencional, o ganho líquido estimado alcançou R$ 202 por hectare. O estudo também contextualizou o potencial das tecnologias híbridas diante da elevada dependência brasileira de fertilizantes importados. Em 2025, a produção nacional somou 7,22 milhões de toneladas, enquanto as importações alcançaram 43,32 milhões de toneladas, equivalentes a cerca de 88% das entregas ao mercado interno.
Paralelamente, a área tratada com bioinsumos cresceu a uma taxa média de 22% ao ano nos últimos três anos, atingindo 156 milhões de hectares na safra 2024/25. A soja respondeu por 62% da área tratada, seguida pelo milho, com 23%, e pela cana-de-açúcar, com 10%. A estrutura regulatória foi identificada como o principal entrave à expansão das soluções híbridas. As normas vigentes foram desenvolvidas para categorias isoladas de produtos minerais ou biológicos, o que limita a integração regulatória de tecnologias que combinam as duas abordagens. O estudo aponta que o avanço da eficiência nutricional depende da compreensão do papel complementar dessas soluções, sem pressupor a substituição de uma tecnologia pela outra. Nesse contexto, o fortalecimento do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) é considerado relevante para coordenar a agenda de inovação, o aprimoramento regulatório e a sustentabilidade, além de promover maior integração entre os diferentes agentes da cadeia de fertilizantes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.