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20/Oct/2026

Margens distintas entre Brasil, EUA e Argentina

Segundo o Rabobank, as margens operacionais da soja devem apresentar trajetórias distintas em 2027 na Argentina, nos Estados Unidos e no Brasil. Na Argentina, a margem deve subir de 9% para 21%, impulsionada pela recuperação dos preços. Nos Estados Unidos, a projeção é de recuo de 18% para cerca de 15%. No Brasil, o ambiente operacional é considerado relativamente saudável, mas o custo elevado do financiamento e as taxas regionais de inadimplência acima de 8%, em níveis recordes, seguem pressionando os produtores. A margem corresponde ao lucro bruto sobre a receita líquida, considerando apenas custos operacionais, como fertilizantes, defensivos, sementes e combustível. Despesas com terra, financiamento e subsídios não entram no cálculo, que, portanto, não representa o lucro líquido da propriedade rural. O Rabobank também acompanha a diferença entre o preço de venda e o custo operacional por bushel.

Entre 2019 e 2023, esse spread permaneceu entre os níveis mais elevados desde 2000 no Brasil e nos Estados Unidos, com recorde no mercado brasileiro. Na Argentina, a margem operacional da soja passou de 4% em 2024 para 7% em 2025 e 9% em 2026, com previsão de alcançar 21% em 2027. A melhora reflete a recuperação recente dos preços. Apesar disso, o custo operacional deve aumentar 9%, de US$ 1.090,00 para US$ 1.185,00 por hectare. Os gastos com fertilizantes devem subir 39%, de US$ 41,00 para US$ 57,00 por hectare, enquanto os custos com defensivos tendem a recuar 17%, de US$ 127,00 para US$ 105,00 por hectare. A carga tributária permanece como um obstáculo estrutural para a rentabilidade agrícola argentina. Segundo a Fundação Agropecuária para o Desenvolvimento da Argentina (FADA), os impostos absorvem cerca de 58% da renda agrícola no país. Na cultura da soja, essa proporção chega a 60,7%, limitando a parcela da receita que permanece com os produtores.

No Brasil, o custo operacional da soja deve aumentar cerca de 4%, de US$ 866,00 para US$ 899,00 por hectare. Os gastos com fertilizantes e defensivos devem subir 2% em cada categoria. As margens operacionais retornaram para perto da média histórica, enquanto o spread recuou do pico registrado em 2022 e se aproximou da média, patamar observado nas últimas safras. Para 2027, a projeção é de estabilidade desse indicador. Apesar da relativa normalização operacional, a situação financeira dos produtores brasileiros permanece pressionada pelo endividamento acumulado em ciclos anteriores de investimento. As taxas regionais de inadimplência superiores a 8%, em níveis recordes, reforçam as dificuldades de acesso e o custo elevado do crédito. O financiamento caro é apontado pelo banco como o principal fator de pressão sobre os produtores, mesmo em um cenário operacional menos desafiador do que o observado nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, a margem operacional da soja avançou de 14% em 2024 para 17% em 2025 e 18% em 2026, mas deve recuar para aproximadamente 15% em 2027. O custo operacional está projetado para aumentar de US$ 1.217,00 para US$ 1.245,00 por hectare, acima dos US$ 899 estimados para o Brasil e dos US$ 1.185,00 previstos para a Argentina. O spread da soja norte-americana permanece próximo das mínimas históricas há três ou quatro safras, enquanto os custos operacionais seguem em trajetória de alta desde o início dos anos 2000. Essa combinação é um desafio estrutural para os produtores. Os programas federais de apoio contribuem para aliviar parte da pressão financeira, enquanto a recente valorização dos preços pode favorecer resultados melhores do que os indicados pelas estimativas do relatório. Para a soja brasileira, as projeções para a safra 2026/27 indicam sinais de estabilização das margens operacionais. A média móvel de cinco anos pode começar a apresentar recuperação por volta da safra 2028/29. Entretanto, os custos operacionais ainda elevados limitam uma melhora mais expressiva, e o financiamento caro continua sendo o principal entrave à recuperação da rentabilidade dos produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.