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21/Oct/2026

Tocantins decreta situação de emergência por seca

O governo de Tocantins decretou situação de emergência em todo o Estado por 180 dias, em razão da estiagem prolongada. Os levantamentos realizados pelos órgãos estaduais poderão subsidiar pedidos de apoio financeiro, prorrogação de prazos para cumprimento de obrigações e renegociação de dívidas por produtores rurais afetados, desde que sejam atendidas as exigências legais. O Decreto nº 7.251 foi divulgado nesta terça-feira (20/10), com publicação prevista no Diário Oficial do Estado (DOE) na mesma data. O governo estadual não detalhou valores nem linhas de crédito que poderão ser acionadas. A medida considera os prejuízos à agropecuária e os riscos de queimadas e incêndios florestais. Dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) indicam que cerca de 95% do território tocantinense apresentava algum grau de seca em agosto.

A área classificada com seca moderada aumentou de 33,57% em julho para 57,44% em agosto. A coordenação das ações de resposta ficará sob responsabilidade do Corpo de Bombeiros Militar, por meio da Defesa Civil, que articulará o atendimento aos municípios e às famílias afetadas, incluindo o abastecimento emergencial de água. A Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), ficará encarregada de contabilizar as perdas no campo e orientar os produtores sobre os instrumentos de apoio disponíveis. A estiagem também representa um desafio para o início da safra de soja 2026/27. Embora a semeadura esteja liberada desde 1º de outubro, os trabalhos ainda eram pontuais, conforme avaliação divulgada em 14 de outubro pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Tocantins (Aprosoja-TO).

Na ocasião, a entidade identificou chuvas suficientes para o plantio em algumas microrregiões, principalmente no Vale do Araguaia, enquanto produtores continuavam aguardando precipitações mais abrangentes. O período considerado ideal para a semeadura começou em 15 de outubro, e a janela de plantio em áreas de sequeiro permanece aberta até 15 de janeiro de 2027. Com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Aprosoja-TO estima que a soja ocupa cerca de 1,6 milhão de hectares no Estado e projeta pequeno aumento da área cultivada nesta temporada.

Entretanto, as condições de financiamento aumentam a cautela dos produtores, diante das taxas de juros elevadas, das dificuldades de acesso ao crédito e do alto nível de endividamento no setor. A incerteza sobre os efeitos do El Niño também dificulta as projeções para a safra. Em 14 de outubro, a Aprosoja-TO avaliava que ainda era prematuro estimar a produção estadual, uma vez que grande parte das áreas aguardava condições adequadas de umidade para o início da semeadura. Nesse contexto, o levantamento das perdas decorrentes da estiagem poderá contribuir para dimensionar os impactos sobre a atividade agropecuária e subsidiar eventuais pedidos de apoio e renegociação de compromissos financeiros, conforme os critérios legais aplicáveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.