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22/Oct/2026

Estatais chinesas concentram compras nos EUA

A China havia adquirido cerca de 13 milhões de toneladas de soja da safra 2026/27 dos Estados Unidos até o fim de setembro, aproximadamente metade do compromisso de compra de 25 milhões de toneladas para a temporada. As aquisições, porém, estão concentradas em empresas estatais chinesas, enquanto as esmagadoras privadas permanecem afastadas do mercado norte-americano. Segundo análise da StoneX, o ritmo das compras chinesas e as condições climáticas na América do Sul são os principais fatores de sustentação das cotações da oleaginosa. O volume negociado é expressivo em comparação com o mesmo período do ano passado, quando a China praticamente não havia fechado negócios com os Estados Unidos, pois o acordo comercial ainda não estava em vigor. Entretanto, persistem riscos para o cumprimento do compromisso de compra. As esmagadoras privadas seguem fora do mercado norte-americano em razão das margens de processamento pressionadas na China e da tarifa adicional de 10% aplicada à soja dos Estados Unidos, mantida nas negociações comerciais mais recentes.

A diferença entre as intenções de compra e os embarques efetivos também representa um risco, diante da possibilidade de cancelamentos. Além disso, os estoques das esmagadoras chinesas estão significativamente acima da média dos últimos três anos. Dessa forma, a evolução das cotações dependerá não apenas da manutenção dos compromissos comerciais, mas também da conversão das compras anunciadas em embarques efetivos nos próximos meses. Setembro marcou uma mudança no comportamento do mercado. Até então, os preços da soja permaneciam em uma faixa estreita, influenciados pela safra recorde brasileira e pelas perspectivas favoráveis para a produção norte-americana. A atenção voltou-se para as relações comerciais entre Estados Unidos e China e, nas semanas anteriores a uma reunião realizada em setembro, surgiram sinais de aumento das importações chinesas de soja norte-americana. Ao mesmo tempo, a demanda interna dos Estados Unidos permaneceu firme, sobretudo para esmagamento e produção de biocombustíveis.

A valorização do petróleo impulsionou inicialmente o óleo de soja e, posteriormente, o grão. Nesse contexto, os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago se aproximaram da maior cotação em quase três anos e encerraram o trimestre com valorização de quase 15%. Parte dos ganhos, contudo, foi devolvida no início de outubro. A pressão sazonal da colheita norte-americana, a ausência da China no mercado durante uma semana de feriado, o ritmo lento das aquisições chinesas e a exclusão da soja do novo alívio tarifário negociado entre os dois países levaram as cotações para perto da mínima de cinco semanas. No balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima produção 6,4% superior à do ano anterior, favorecida pelo aumento da área plantada e pela ausência de problemas relevantes de produtividade. A previsão é de rendimento recorde ainda mais elevado, o que amplia a pressão sobre as cotações em Chicago à medida que a colheita avança.

Em contrapartida, as compras chinesas e a demanda do setor de biocombustíveis contribuem para reduzir a disponibilidade interna da oleaginosa nos Estados Unidos. O esmagamento deve crescer cerca de 4% na safra 2026/27, enquanto os estoques finais são projetados em 8,4 milhões de toneladas, queda de quase 5% em relação à temporada anterior. O USDA vem reduzindo suas estimativas de estoques, e novos cortes não estão descartados. A proposta da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) de redistribuir volumes de biocombustíveis relacionados às isenções concedidas a pequenas refinarias também favorece a demanda por óleo de soja. Entretanto, o calendário de implementação da medida permanece incerto. O cenário combina uma safra norte-americana volumosa com demanda interna e externa consistente: a pressão da colheita pode limitar as altas até o fim do ano, enquanto as compras chinesas e o consumo associado aos biocombustíveis tendem a restringir o potencial de queda. Na América do Sul, o El Niño representa um dos principais fatores de risco para os próximos meses, especialmente durante fases importantes do desenvolvimento das lavouras brasileiras da safra 2026/27.

Os efeitos do fenômeno podem variar entre as regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, a tendência de maior volume de chuvas pode favorecer as lavouras, enquanto Mato Grosso e outras áreas mais ao norte do cinturão agrícola poderão enfrentar maior risco de déficit hídrico. A StoneX mantém a projeção de produção brasileira de soja em 183,4 milhões de toneladas, volume ligeiramente superior ao da safra anterior, com expectativa de plantio em ritmo normal. Eventuais revisões negativas de produtividade nas regiões produtoras do Norte poderão alterar o balanço de oferta e demanda e oferecer sustentação adicional às cotações internacionais. Na Argentina, o El Niño costuma favorecer a ocorrência de chuvas e reduzir o risco de seca. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta aumento da produção de soja no próximo ciclo, com expansão da área plantada e perspectiva de boas produtividades. Assim, enquanto a oferta elevada dos Estados Unidos exerce pressão sobre o mercado, o comportamento da demanda chinesa e as condições climáticas na América do Sul deverão definir a trajetória dos preços nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.