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27/Oct/2026

Farelo de Soja: oferta sul-americana pressiona preço

Os preços futuros do farelo de soja nos Estados Unidos recuaram cerca de US$ 33,00 por tonelada desde o pico registrado em 12 de outubro e podem cair abaixo de US$ 369,00 por tonelada caso a demanda não apresente recuperação consistente. Segundo a Stag International, a retomada do processamento de soja nos Estados Unidos e o aumento da oferta do Brasil e da Argentina reduzem o suporte às cotações. A consultoria também identifica risco de novas vendas por fundos de investimento que mantêm posições compradas no mercado. A correção ocorre após os contratos futuros com vencimento em dezembro superarem US$ 408,00 por tonelada e recuarem para menos de US$ 386,00 por tonelada. O abastecimento norte-americano ainda enfrenta restrições, com estoques reduzidos ao longo da cadeia de distribuição, atrasos nas entregas, escassez de vagões em algumas regiões e manutenção programada para novembro. Esses fatores podem retardar a normalização da oferta, mas o prêmio adicional decorrente da escassez de curto prazo está diminuindo.

Na América do Sul, a expansão dos embarques aumenta a pressão competitiva sobre o produto norte-americano. A Stag elevou em 800 mil toneladas sua projeção para as exportações brasileiras de farelo em novembro e dezembro. Com a revisão, a estimativa para 2026 passou a 26 milhões de toneladas, volume recorde e 13% superior às 23 milhões de toneladas embarcadas em 2025. A Argentina também deve ampliar as vendas externas. O Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) registrou exportações de 2,9 milhões de toneladas de farelo em setembro, ante 2,67 milhões de toneladas em igual mês do ano anterior. Para o período de julho a dezembro, a Stag estima aumento de aproximadamente 1 milhão de toneladas nos embarques argentinos. Considerando os dois países, as exportações sul-americanas de farelo devem crescer cerca de 2 milhões de toneladas no segundo semestre, em comparação com o mesmo período de 2025.

O aumento da disponibilidade sul-americana ocorre justamente quando as processadoras dos Estados Unidos retomam o ritmo de produção. Além disso, os prêmios de exportação do farelo brasileiro, correspondentes aos valores negociados acima das referências da bolsa, recuaram acentuadamente, movimento seguido pelo produto argentino. Essa redução amplia a desvantagem competitiva do farelo norte-americano no mercado internacional. A demanda também limita as perspectivas de recuperação dos preços. As vendas externas semanais dos Estados Unidos têm ficado abaixo das expectativas, enquanto as compras do México perderam ritmo. No mercado doméstico norte-americano, margens menores na produção de suínos e aves podem restringir o consumo de farelo, reduzindo a capacidade de absorção do aumento da oferta. A Stag considera improvável que as exportações norte-americanas repitam o desempenho excepcional do ano passado.

Em 2025, a Argentina dispunha de menor volume de soja para processamento, pois uma parcela expressiva dos grãos foi destinada à China. A menor disponibilidade de farelo argentino abriu espaço para o produto dos Estados Unidos ampliar sua participação no comércio internacional. Com a recuperação da oferta sul-americana, essa oportunidade tende a diminuir. A regulamentação europeia contra o desmatamento, conhecida pela sigla EUDR, representa uma variável adicional para o fluxo comercial. A incerteza sobre a aplicação das regras pode estimular importadores europeus a antecipar compras no fim de 2026, para formar estoques antes de eventuais dificuldades regulatórias. A consultoria, entretanto, avalia que esse movimento tende a deslocar aquisições previstas para o início de 2027, sem representar necessariamente um aumento duradouro do consumo. Dessa forma, a demanda adicional pode não ser suficiente para absorver toda a expansão da produção norte-americana. Diante desse cenário, a perspectiva é baixista para os preços do farelo de soja.

Caso a demanda não apresente crescimento consistente, os contratos futuros poderão recuar para menos de US$ 369,00 por tonelada. Preços mais baixos seriam necessários para recuperar a competitividade do produto dos Estados Unidos e estimular o consumo. A movimentação dos fundos de investimento também pode intensificar a pressão no curto prazo. Parte significativa dos investidores com posições compradas entrou no mercado quando os preços estavam entre US$ 364,00 e US$ 375,00 por tonelada. Mesmo após a queda recente, essas posições ainda podem apresentar ganhos acumulados, criando incentivos para a venda de contratos e a realização de lucros. O risco baixista mais imediato está menos na abertura de novas posições vendidas do que na liquidação de posições compradas. A Stag não espera uma aposta expressiva dos fundos na queda dos preços antes de haver maior clareza sobre a implementação da EUDR. Entretanto, se as exportações norte-americanas continuarem abaixo das expectativas enquanto o processamento doméstico se recupera, a realização de lucros poderá acelerar o recuo das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.