27/Oct/2026
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam em queda nesta segunda-feira (16/10), pressionados pela valorização do dólar ante o Real após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial do Brasil. A desvalorização da moeda brasileira tende a favorecer a competitividade da soja nacional no mercado internacional e estimular as exportações do País. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), os embarques brasileiros de soja devem somar 6,40 milhões de toneladas em outubro, volume praticamente estável em relação ao registrado no mesmo mês de 2025. O contrato com vencimento em janeiro recuou 16,00 cents, ou 1,26%, para US$ 12,52 por bushel.
Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostraram que os fundos reduziram em 11,4% a posição líquida comprada em soja na semana encerrada em 20 de outubro, para 221.325 contratos. Apesar da redução, o saldo comprado permanece elevado, indicando espaço para novas liquidações e mantendo a pressão sobre as cotações. Os exportadores brasileiros aproveitaram a desvalorização do Real para fechar negócios, enquanto a queda adicional dos preços estimulou novas vendas por parte dos especuladores. A pressão vendedora esteve concentrada, principalmente, na liquidação de posições no mercado futuro.
O avanço acelerado da colheita nos Estados Unidos também contribuiu para o movimento de baixa. O relatório de acompanhamento de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para o fim do dia, deveria indicar que a colheita norte-americana estava próxima da conclusão. Em 18 de outubro, os trabalhos alcançavam 64% da área, e as condições climáticas amplamente favoráveis desde então devem ter permitido progresso significativo das operações. Os dados de demanda externa apresentaram evolução positiva. O USDA informou que foram inspecionadas 2,48 milhões de toneladas de soja para embarque em portos norte-americanos na semana encerrada em 22 de outubro, aumento de 19,75% em relação à semana anterior.
O avanço semanal das inspeções, contudo, não foi suficiente para compensar a pressão exercida pela valorização do dólar ante o Real, pela liquidação de posições especulativas e pela perspectiva de conclusão da colheita nos Estados Unidos. No Brasil, o plantio da safra de soja 2026/27 alcançou 40% da área projetada até o dia 22 de outubro, conforme levantamento da AgRural. O índice supera os 26% registrados uma semana antes e os 36% observados no mesmo período do ano passado. O ritmo mais acelerado de semeadura amplia a atenção do mercado para a evolução das condições climáticas e para as perspectivas de produção da nova safra sul-americana.