27/Oct/2026
Segundo a Grainsights, a valorização do dólar tende a sustentar os preços da soja e do milho brasileiros em Reais, ao melhorar a paridade de exportação, mas também eleva os custos de fertilizantes, defensivos e crédito atrelado à moeda norte-americana. A moeda norte-americana abriu o pregão desta segunda-feira (26/10) em alta de 8,65%, a R$ 5,42, depois de ter encerrado a sessão anterior abaixo de R$ 5,00. A valorização cambial aumenta a receita em reais obtida com as exportações e pode sustentar as cotações nos portos e no interior do País. Entretanto, o efeito positivo sobre os preços dos grãos precisa ser avaliado em conjunto com o aumento das despesas de produção e financiamento.
No mercado de soja, a alta do dólar pode melhorar a remuneração em reais das vendas externas, mesmo diante da pressão exercida pela colheita norte-americana sobre os contratos internacionais. No mercado brasileiro, o Índice Soja FOB Santos, calculado pela Grainsights, avançou 1,10% na semana passada, para R$ 161,52 por saca de 60 Kg, antes da intensificação da valorização cambial. Segundo a análise, a expectativa de uma safra volumosa em 2026/27 tende a pressionar os preços para entrega em 2027, em um cenário de compradores mais retraídos. O plantio da nova safra segue acima da média dos últimos cinco anos e à frente do ritmo observado no ano passado, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com Mato Grosso liderando os trabalhos.
Para o milho, a valorização do dólar melhora a paridade de exportação e pode oferecer suporte às cotações nos portos e aos contratos negociados na B3, que vinham apresentando tendência de baixa. O cereal estava pressionado pela ampla oferta no mercado interno e pelo ritmo de exportações inferior ao registrado no ano passado. Na semana anterior, os futuros do milho em Chicago recuaram 3,80%, enquanto o contrato de referência na B3 caiu 1,56%. A Grainsights identificou recuperação superior a 3% nos contratos de milho da B3 no início da semana, em resposta ao movimento cambial. No interior, entretanto, a reação dos preços tende a ser mais gradual, diante da disponibilidade elevada do cereal e da cautela dos compradores.
No curto prazo, o comportamento do câmbio e o ritmo das aquisições pela indústria nacional podem exercer influência maior sobre as cotações brasileiras do que as oscilações em Chicago. O efeito da valorização cambial sobre a rentabilidade do produtor dependerá, portanto, da relação entre os preços recebidos e os custos de produção. Embora o dólar mais alto favoreça a competitividade externa e a conversão das receitas de exportação, também encarece fertilizantes, defensivos e operações de crédito vinculadas à moeda. A evolução desses componentes será determinante para avaliar quanto do ganho cambial poderá ser efetivamente incorporado às margens das propriedades rurais.
Entre os fatores acompanhados pelo mercado estão os primeiros sinais sobre a condução das contas públicas e a composição da equipe econômica, além das decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil. A decisão de juros do Federal Reserve está prevista para 28 de outubro, com expectativa de manutenção das taxas, enquanto a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorrerá em 3 e 4 de novembro. Esses eventos poderão influenciar o câmbio e, consequentemente, a formação dos preços dos grãos e dos custos agrícolas no País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.