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28/Oct/2026

Brasil: El Niño forte ameaça produção em 13 Estados

Segundo a Serasa Experian, um cenário de El Niño forte poderia reduzir a produção de soja em 13 Estados brasileiros na safra 2026/27, enquanto quatro Estados registrariam aumento. Mato Grosso teria a maior redução potencial, de 9,7 milhões de toneladas, enquanto o Rio Grande do Sul poderia ampliar a produção em 5,5 milhões de toneladas, na comparação com um cenário de clima neutro. No País, a diferença entre os dois cenários alcançaria 17,6 milhões de toneladas, ou 9,7%. Os números representam riscos potenciais associados às condições climáticas, e não uma previsão de quebra de safra. Os efeitos do El Niño dependem da intensidade e da distribuição das precipitações, que podem prejudicar a produção em algumas regiões e favorecer outras. O fenômeno não implica necessariamente redução das chuvas em todo o Brasil, uma vez que seus impactos variam conforme a localização e as condições de desenvolvimento das lavouras.

Em Mato Grosso, a área estimada para a soja é de 12,7 milhões de hectares, aumento de 2,2%. No cenário de clima neutro, a produção alcançaria 51,2 milhões de toneladas, enquanto, sob El Niño forte, recuaria para 41,5 milhões de toneladas, queda de 18,9%, equivalente a quase um quinto da safra estadual. A produtividade passaria de 4.028 para 3.266 quilos por hectare. Chuvas irregulares e períodos de estiagem podem atrasar a semeadura, exigir replantio e reduzir o potencial produtivo. Com cerca de 70% da área já semeada, a distribuição das precipitações entre novembro e janeiro será determinante para o desenvolvimento das lavouras. No Rio Grande do Sul, a projeção aponta para um movimento inverso. Com área estimada em 7,1 milhões de hectares, crescimento de 2,9%, a produção passaria de 16,7 milhões para 22,3 milhões de toneladas, alta de 33,1%.

A produtividade aumentaria de 2.342 para 3.117 quilos por hectare. A maior disponibilidade de água em anos de El Niño pode reduzir o risco de estiagem nas fases críticas da cultura. Entretanto, o excesso de precipitações pode provocar encharcamento do solo, dificultar as operações de campo e elevar a incidência de doenças. As chuvas intensas já vêm prejudicando o avanço da semeadura no Estado. Depois de Mato Grosso, Goiás apresentaria a segunda maior redução potencial, de 4 milhões de toneladas. Juntos, os dois Estados responderiam por quase 80% da diferença nacional entre os cenários. Na sequência, aparecem Paraná, São Paulo e Minas Gerais, com redução de 1,5 milhão de toneladas neste último Estado. O ganho projetado para o Rio Grande do Sul não seria suficiente para compensar as perdas calculadas para o Centro-Oeste.

A análise aplica à área estimada para a safra 2026/27 as produtividades registradas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2023/24, período marcado por El Niño forte, e em 2024/25, safra de clima neutro. O exercício permite dimensionar possíveis impactos caso se repitam condições semelhantes às observadas nesses ciclos, mas não constitui uma estimativa definitiva da produção que será colhida. Os resultados apontam para uma redistribuição geográfica dos riscos climáticos, com possibilidade de condições mais favoráveis ao desenvolvimento da soja na Região Sul e maior exposição a irregularidades de chuva na Região Centro-Oeste. A vulnerabilidade também varia dentro de cada Estado e município, conforme as condições locais de produção. No oeste da Bahia, por exemplo, a irrigação pode ajudar a reduzir os efeitos da falta de precipitação sobre as lavouras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.