28/Oct/2026
Segundo a Serasa Experian, um El Niño forte pode reduzir a produção brasileira de soja em 17,6 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume 9,7% inferior ao estimado em um cenário de condições climáticas neutras. A diferença potencial equivale a aproximadamente 293 milhões de sacas de 60 Kg e corresponderia a R$ 33 bilhões em valor bruto da produção, a preços de referência de agosto de 2026, segundo estudo divulgado pela. Os números dimensionam um risco climático e não representam uma previsão de quebra de safra ou de perdas financeiras efetivas. O levantamento estima uma produção de 163,6 milhões de toneladas caso a produtividade repita as condições observadas durante o El Niño forte de 2023/24. Em um cenário neutro, a colheita alcançaria 181,2 milhões de toneladas, com base nas condições registradas na safra 2024/25.
Nos dois cenários, a área cultivada seria de 49,9 milhões de hectares, aumento de 1,8% em relação à temporada anterior, equivalente a quase 1 milhão de hectares adicionais. A principal diferença entre as projeções está no rendimento das lavouras. Sob condições climáticas neutras, a produtividade média alcançaria 3.622 quilos por hectare, equivalente a aproximadamente 60 sacas. Em um cenário semelhante ao El Niño de 2023/24, o rendimento cairia para 3.282 quilos por hectare, ou cerca de 55 sacas. Mesmo com a expansão da área plantada, a produção ficaria 9,9% abaixo das 181,5 milhões de toneladas estimadas para a safra 2025/26. O aumento da área cultivada não garante uma colheita maior, uma vez que o resultado depende do comportamento da produtividade.
Os efeitos do El Niño variam conforme a intensidade e a distribuição das chuvas, o estágio de desenvolvimento das plantas e as condições específicas de cada região produtora. Dessa forma, a concretização do risco dependerá da evolução do clima ao longo do ciclo agrícola. Para elaborar os cenários, a empresa combinou mapeamentos de áreas agrícolas obtidos por satélite com dados estaduais de produtividade da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A utilização de safras recentes busca reduzir distorções decorrentes dos avanços tecnológicos acumulados ao longo dos anos, permitindo comparar os efeitos de diferentes condições climáticas sobre a produção. O impacto econômico potencial de R$ 33 bilhões foi calculado com base no valor bruto da produção de soja estimado pelo Ministério da Agricultura em agosto, de R$ 340,6 bilhões.
A Serasa Experian dividiu esse montante pela produção da safra 2025/26, chegando a aproximadamente R$ 1,88 mil por tonelada. Esse valor unitário foi aplicado à diferença de 17,6 milhões de toneladas entre os cenários climáticos. O cálculo mantém os preços constantes e não incorpora possíveis mudanças nas cotações da soja, no câmbio ou nas condições de comercialização. Portanto, o montante representa uma estimativa do valor bruto da produção potencialmente exposta ao risco climático, e não uma projeção direta de prejuízo financeiro para os agricultores. Os relatórios mensais da Conab deverão permitir uma avaliação mais clara da produtividade a partir de dezembro. Até lá, a distribuição e o volume das chuvas serão fatores determinantes para verificar em que medida o risco apontado pelo estudo poderá se materializar na safra brasileira de soja 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.