28/Oct/2026
Segundo a Serasa Experian, a expectativa de um El Niño forte na safra brasileira de soja 2026/27 já foi incorporada em boa parte aos preços da oleaginosa, mas uma produção muito diferente dos volumes considerados nos cenários da poderá provocar novas oscilações nas cotações, diante de uma diferença potencial de 17,6 milhões de toneladas entre a produção nacional estimada em condições de El Niño forte e em um cenário de clima neutro. O estudo dimensiona riscos climáticos, mas não representa uma previsão de preços ou de quebra efetiva da safra. O conhecimento prévio sobre a possibilidade de um El Niño forte já contribuiu para incorporar parte dos riscos às cotações. Desvios expressivos em relação aos volumes considerados nos cenários, entretanto, poderão alterar as expectativas de oferta e provocar novos movimentos no mercado mundial de soja.
A empresa não apresentou estimativas para a magnitude de eventuais oscilações de preços. Mantida a área projetada de 49,9 milhões de hectares, a produção brasileira alcançaria 163,6 milhões de toneladas em um cenário de El Niño forte, ante 181,2 milhões de toneladas em condições de clima neutro. A diferença de 17,6 milhões de toneladas corresponde a 9,7% da produção estimada no cenário neutro e equivale a aproximadamente R$ 33 bilhões em valor bruto da produção, considerando os preços de agosto de 2026. Esse montante não representa uma previsão de prejuízo financeiro, uma vez que alterações na oferta podem modificar os preços e as condições de comercialização. A distribuição das chuvas já influencia o ritmo de implantação das lavouras. Em Goiás, a semeadura da soja de sequeiro avança lentamente no norte e no leste do Estado, onde os produtores aguardam umidade suficiente para a germinação.
No sul de Goiás, os trabalhos já começaram. À medida que o plantio avança, a atenção se volta à distribuição das precipitações nos próximos meses e às condições de desenvolvimento das lavouras. Goiás apresenta a segunda maior redução potencial de produção, com 4 milhões de toneladas a menos, atrás de Mato Grosso, cuja diferença alcança 9,7 milhões de toneladas. Juntos, os dois Estados concentram quase 80% da diferença nacional entre os cenários climáticos. O resultado efetivo da safra dependerá das chuvas ao longo do ciclo, especialmente nas fases de florescimento e enchimento dos grãos. Por isso, o risco climático permanece, mesmo com parte das expectativas já incorporada aos preços. A exposição às condições meteorológicas varia entre Estados, municípios e propriedades de uma mesma região.
No oeste da Bahia, áreas de São Desidério e Correntina exemplificam como a irrigação pode reduzir a vulnerabilidade das lavouras à falta de chuva. Entre as medidas recomendadas pelo grupo de trabalho do Ministério da Agricultura para enfrentar os efeitos do El Niño estão o uso de sementes mais tolerantes à estiagem e o escalonamento da semeadura, estratégia que reduz a dependência de uma única janela de plantio. A Serasa Experian espera que os relatórios mensais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a partir de dezembro, permitam acompanhar com maior clareza os efeitos das condições de chuva sobre a produtividade. Até a divulgação desses dados, as estimativas permanecem como cenários de risco, calculados com base nas produtividades registradas em 2023/24, safra marcada por El Niño forte, e em 2024/25, período de clima neutro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.