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28/Oct/2026

Impactos do movimento cambial no preço da soja

Segundo a Stag International, a disparada do dólar após a eleição presidencial no Brasil ampliou o risco de novas quedas dos preços da soja na Bolsa de Chicago. A desvalorização do Real pode aumentar a competitividade da soja brasileira no mercado internacional e pressionar as cotações externas. Entretanto, o movimento cambial ainda não estimulou uma aceleração das vendas dos produtores brasileiros, pois a queda dos contratos futuros e dos prêmios de exportação absorveu parte dos ganhos em moeda nacional. O resultado eleitoral no Brasil contrariou as expectativas de investidores que projetavam maior rigor fiscal sob um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Em 26 de outubro, a forte queda das ações levou à suspensão temporária das negociações de alguns papéis, enquanto os juros de longo prazo avançaram. Entre as preocupações apontadas estão a trajetória da dívida pública bruta, projetada em 87% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, e a indefinição sobre o comando do Ministério da Fazenda.

Uma recuperação sustentada do Real dependerá da credibilidade das medidas fiscais, do controle das despesas públicas e da preservação da autonomia do Banco Central. No mercado de soja, a valorização do dólar tende a elevar a receita dos exportadores brasileiros em Reais, mas esse efeito foi limitado pela retração dos preços externos e dos prêmios. Em 26 de outubro, os prêmios de exportação da soja brasileira da nova safra recuaram US$ 0,15 por bushel. No mercado interno, os preços avançaram. A desvalorização cambial também pode pressionar os prêmios de exportação. Embora a relação diária entre dólar e prêmios seja próxima de zero, a análise de 15 episódios desde julho de 2020, nos quais o Real perdeu pelo menos 5% de seu valor em um mês, identificou queda média de US$ 0,06 por bushel nos prêmios. No quarto trimestre de 2024, quando o dólar subiu de R$ 5,68 para R$ 6,29, os prêmios recuaram US$ 0,50 por bushel. Além da influência sobre a comercialização, o dólar elevado aumenta os custos de produção da soja brasileira.

O País importa cerca de 85% dos fertilizantes e 33% do diesel consumidos internamente, o que amplia a exposição dos produtores à variação cambial. A desvalorização do Real pode encarecer insumos, transporte e operações de colheita. A instabilidade financeira também pode retardar a redução dos juros e manter elevado o custo do financiamento agrícola. A Selic está em 13,75%, enquanto as taxas do crédito comercial de custeio passaram de 12% na safra 2024/25 para 14% em 2025/26, recuando para 12,5% na temporada atual. As Cédulas de Produto Rural (CPRs), financiadas com recursos privados, responderam por 46,9% do financiamento rural das empresas entre julho e setembro, aumentando a exposição dos produtores às condições de mercado. As condições climáticas ainda não oferecem sustentação consistente às cotações. O plantio brasileiro avança acima da média histórica, e as previsões indicam ocorrência de chuvas no norte de Mato Grosso, em Goiás e na Bahia, embora a distribuição das precipitações permaneça irregular.

Desde 1º de setembro, o acumulado de chuva correspondeu a 155% da média de cinco anos em Mato Grosso, 153% no Paraná e 144% em Goiás. Em Mato Grosso do Sul, o volume atingiu 80% da média, enquanto a Bahia registrou apenas 5 mm, equivalentes a 7% do normal. A Stag não identifica, por enquanto, uma ameaça generalizada à safra brasileira de soja 2026/27, mas considera decisivas as chuvas de novembro e dezembro no Centro-Oeste para a definição da produtividade. Nos Estados Unidos, a colheita segue sem problemas relevantes. Pelo lado da demanda, as compras chinesas de soja norte-americana somam cerca de 17 milhões de toneladas, incluindo volumes classificados como de destino não identificado que a consultoria atribui à China. As aquisições dos demais importadores permanecem abaixo do esperado. Mantido o ritmo atual, as vendas dos Estados Unidos para mercados fora da China alcançariam apenas 21 milhões de toneladas em abril de 2027, período em que a entrada da nova safra brasileira poderá intensificar a concorrência.

Esse cenário reduz a perspectiva de expansão das exportações norte-americanas e limita o potencial de recuperação das cotações na Bolsa de Chicago. Os fundos de investimento também representam um fator de pressão. Aproximadamente metade das posições compradas, que representam apostas na valorização da soja, foi constituída quando os preços estavam abaixo de US$ 12,20 por bushel. Esse posicionamento abre espaço para realização de lucros caso não surjam novos fatores de alta. Diante do Real mais fraco, das perspectivas favoráveis para a produção sul-americana e da demanda ainda insuficiente de importadores fora da China, a consultoria mantém viés baixista para os preços. No curto prazo, a pressão tende a decorrer principalmente da liquidação de posições compradas pelos fundos, e não necessariamente da ampliação de apostas na queda das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.