28/Oct/2026
Segundo o Commerzbank, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionou os preços da soja no início desta semana e deve favorecer a continuidade das compras chinesas do produto brasileiro. A desvalorização do Real após o segundo turno aumentou a atratividade das exportações brasileiras e reduziu a perspectiva de transferência significativa da demanda chinesa para os Estados Unidos, com possíveis reflexos sobre as cotações internacionais. O Real sofreu desvalorização temporária de 11% em reação ao resultado eleitoral. Com a elevação do dólar, os exportadores brasileiros passam a receber mais reais pelo mesmo valor obtido em moeda estrangeira, o que pode estimular a oferta e aumentar a pressão sobre os preços internacionais. O movimento também afetou as cotações do açúcar e do café.
O Brasil ocupa a posição de maior produtor e exportador mundial desses dois produtos e da soja. No mercado de soja, o a vitória de Lula favorece a manutenção dos atuais fluxos comerciais entre Brasil e China, principal destino da oleaginosa brasileira. Nos últimos anos, o País consolidou sua posição como principal fornecedor do grão ao mercado chinês, em um contexto marcado pelas disputas tarifárias entre Estados Unidos e China e pelas relações comerciais do governo brasileiro com a China. Nos nove primeiros meses de 2026, o Brasil respondeu por mais de três quartos das importações chinesas de soja, enquanto, nos meses mais recentes, o abastecimento chinês ocorreu quase exclusivamente a partir da origem brasileira.
O fornecimento de soja norte-americana à China tende a aumentar nos próximos meses, com a entrada da nova safra dos Estados Unidos no mercado. Contudo, é incerto o retorno dos volumes comercializados aos níveis anteriores à disputa tarifária entre os dois países. Um resultado eleitoral diferente no Brasil poderia ter alterado as perspectivas comerciais, abrindo espaço para uma retomada mais expressiva das compras chinesas de soja norte-americana. O cenário também envolve riscos para o comércio agrícola brasileiro com os Estados Unidos. O Commerzbank não descarta novos atritos entre o presidente Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump, que poderiam afetar as exportações brasileiras destinadas ao mercado dos Estados Unidos.
As tarifas norte-americanas de 25% sobre importações brasileiras, em vigor desde julho, provavelmente serão mantidas após a reeleição de Lula, embora alguns produtos agrícolas, como o café, estejam isentos. A combinação de câmbio desvalorizado, oferta brasileira potencialmente maior e continuidade da demanda chinesa tende a influenciar a formação dos preços da soja no mercado internacional. Ao mesmo tempo, a entrada da safra norte-americana e a evolução das relações comerciais entre Brasil, Estados Unidos e China serão determinantes para a distribuição dos fluxos de exportação nos próximos meses. A manutenção da participação brasileira no mercado chinês poderá sustentar o escoamento da produção nacional, embora a maior competitividade cambial também possa ampliar a pressão sobre as cotações internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.