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28/Oct/2026

Brasil amplia participação no mercado chinês de soja

O Brasil ampliou sua participação no mercado chinês de soja no último ano comercial, respondendo por 90% das importações da China em setembro. Apesar do avanço brasileiro, a expectativa de uma safra recorde nos Estados Unidos e de boas colheitas na América do Sul aumenta a oferta global e pressiona as cotações internacionais. Na Bolsa de Chicago, os preços recuaram de cerca de US$ 13,00 por bushel na primeira semana de outubro para menos de US$ 12,50 por bushel em 20 de outubro. A China importou 11,88 milhões de toneladas de soja em setembro. No ano comercial encerrado naquele mês, as compras totalizaram 111,7 milhões de toneladas, aumento de 2,3 milhões de toneladas em relação ao período anterior. As importações de origem brasileira cresceram 8,35 milhões de toneladas, elevando a participação do Brasil de 70% para 75,6%. No mesmo intervalo, os Estados Unidos perderam 13,3 milhões de toneladas em fornecimentos ao mercado chinês, enquanto a Argentina ampliou suas exportações em 5,9 milhões de toneladas, favorecida pela suspensão temporária do imposto de exportação em 2025.

Os Estados Unidos, contudo, começaram a recuperar espaço nas compras chinesas. A China já havia adquirido 13,4 milhões de toneladas da safra norte-americana 2026/27, aproximadamente metade das vendas externas registradas, ante nenhuma compra no mesmo período do ano anterior. Até 15 de outubro, as inspeções de embarque de soja dos Estados Unidos somavam 7,2 milhões de toneladas, ante 5,7 milhões de toneladas um ano antes. Desse total, 4,3 milhões de toneladas tinham a China como destino. A recuperação das exportações norte-americanas, porém, não foi suficiente para sustentar os preços. Em 9 de outubro, o USDA elevou a estimativa da safra dos Estados Unidos para 124 milhões de toneladas, volume 7% superior ao registrado em 2025/26. Caso confirmada, a produção superará o recorde anterior, alcançado em 2021. A produtividade também foi estimada em nível recorde, de 3,6 toneladas por hectare. Favorecida pelo tempo seco, a colheita havia alcançado 64% da área em 18 de outubro, ante 46% uma semana antes.

Na América do Sul, as condições climáticas também favorecem a perspectiva de oferta. Os efeitos do Super El Niño ainda não haviam prejudicado o plantio das principais safras de soja da região. No Brasil, a semeadura alcançava 30,1% da área em 16 de outubro, acima da média de 26,4% dos últimos cinco anos. Em Mato Grosso, o índice chegava a 60,8%. Apesar das chuvas acima do normal em partes da Região Sul e abaixo da média no Norte, o avanço dos trabalhos não registrava dificuldades relevantes. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê aumento de 1,4% na área plantada brasileira, parcialmente compensado pela expectativa de menor produtividade. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta produção de soja de 53,6 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 7% em relação à temporada anterior. A área plantada está estimada em 17 milhões de hectares, avanço de 1%. Parte da expansão deverá ocorrer no norte do país, onde problemas relacionados à cigarrinha do milho estimularam a substituição do cereal pela soja.

Pelo lado da demanda, o destaque é a sustentação do consumo chinês de farelo de soja, utilizado principalmente na alimentação animal. A produção industrial de ração somou 223,2 milhões de toneladas de janeiro a agosto, alta de 2,9% ante igual período de 2025. Nos nove primeiros meses do ano, a produção chinesa de carne suína aumentou 3,2%, enquanto a de aves cresceu 9,3%. A queda de 20% nos preços dos suínos, entretanto, levou os produtores a reduzir o plantel de matrizes, que em setembro estava 10,6% abaixo do registrado um ano antes. As projeções para as importações chinesas de soja em 2026/27 apresentam divergência. O USDA estima compras de 115 milhões de toneladas, enquanto o Ministério da Agricultura da China prevê 95,5 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, o processamento de soja recuou em setembro para 5,4 milhões de toneladas, o menor volume em 13 meses, segundo a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (Nopa). Analistas atribuem a queda à menor disponibilidade de grãos antes do avanço da colheita e esperam recuperação do processamento em outubro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.