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29/Oct/2026

Grãos: reeleição de Lula pressiona Bolsa de Chicago

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu as expectativas de um possível atrito comercial entre Brasil e China e retirou parte do suporte aos preços da soja na Bolsa de Chicago, segundo análise da StoneX. Antes do segundo turno das eleições presidenciais, operadores consideravam a possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) provocar tensões com a China e levar compradores chineses a transferir parte das aquisições de soja brasileira para os Estados Unidos. Com a vitória de Lula, essa hipótese perdeu força e passou a contribuir para a pressão sobre as cotações. A oferta brasileira também reforça o viés de baixa. A StoneX citou projeções de produção de 181,6 milhões de toneladas de soja pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e de 184 milhões de toneladas pelo escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no Brasil. Para as exportações brasileiras, a Conab estima 118 milhões de toneladas, ante 113 milhões de toneladas projetadas pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

O plantio no Brasil alcançou 40% da área prevista, ante 36% no mesmo período do ano passado, ritmo considerado favorável e que reduz as preocupações imediatas com os efeitos do El Niño. Nos Estados Unidos, a colheita atingiu 79% da área, acima da média de cinco anos, de 77%. A demanda internacional, especialmente chinesa, continua oferecendo sustentação ao mercado. As exportações norte-americanas estão 10% acima do ritmo necessário para cumprir a projeção anual do USDA, impulsionadas principalmente pelas compras da China. Nas duas semanas anteriores à análise, os chineses teriam adquirido 3,7 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, considerando contratos e vendas avulsas. Pequim também ofertou pouco mais de 1 milhão de toneladas de soja importada em leilões domésticos, dos quais foram comercializadas 479 mil toneladas. Esse suporte, contudo, foi ameaçado em 20 de outubro, quando a China advertiu os Estados Unidos sobre a possibilidade de novo atrito comercial após o anúncio de sanções norte-americanas contra empresas chinesas.

O episódio elevou a percepção de risco para as futuras compras chinesas de soja dos Estados Unidos. No período, a Espanha adquiriu 165 mil toneladas de soja norte-americana, enquanto a Coreia do Sul comprou 180 mil toneladas de farelo de soja. No mercado de milho, a pressão decorre da colheita norte-americana, do ritmo relativamente lento das exportações dos Estados Unidos e da maior concorrência argentina. Nos Estados Unidos, a colheita alcançou 60% da área, abaixo da média de cinco anos, de 66%, enquanto 56% das lavouras estavam em condições boas ou excelentes. As exportações permanecem 10% abaixo do ritmo necessário para atingir a meta anual do USDA, apesar de compras recentes do Japão e da Coreia do Sul. A Argentina amplia a concorrência no mercado internacional. O escritório do USDA no país projeta produção de 62 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27, enquanto as bolsas de Buenos Aires e Rosário estimam volumes entre 66 milhões e 67,5 milhões de toneladas.

As exportações argentinas somam 30,7 milhões de toneladas, aumento de 41% ante igual período do ano passado, ampliando a disputa com Brasil e Estados Unidos pelos mercados compradores. No Brasil, a Conab projeta produção de 148 milhões de toneladas de milho, e o plantio da safra de verão (1ª safra 2026/2027) alcançou 60% da área prevista. Na União Europeia, as importações de milho somaram 7,1 milhões de toneladas, ante 5,2 milhões de toneladas um ano antes. Os embarques da Ucrânia para o bloco alcançaram pouco mais de 2 milhões de toneladas, em comparação com 1,3 milhão de toneladas no período correspondente do ano passado. O aumento das compras europeias e a expansão da oferta argentina compõem um cenário de concorrência entre origens, enquanto o ritmo das exportações norte-americanas permanece abaixo do necessário para cumprir as projeções anuais. Para o trigo, a possibilidade de negociações entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia em meados de novembro pressiona as cotações em Chicago, mesmo com a continuidade da guerra.

A expectativa de um eventual acordo reduz parte do prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços. A avaliação da StoneX é que o mercado passou a reagir menos às novas ameaças militares, diante da adaptação dos operadores às notícias recorrentes sobre o conflito. As exportações de trigo da União Europeia alcançaram 9,21 milhões de toneladas, ante 9,14 milhões de toneladas um ano antes, indicando perda de intensidade no movimento de transferência de compradores do Mar Negro para outras origens. Na Ucrânia, os embarques somaram 3,377 milhões de toneladas, abaixo dos 5,8 milhões de toneladas registrados no mesmo período anterior. As exportações russas de outubro são estimadas entre 2,6 milhões e 3 milhões de toneladas, com aproximadamente 65% do volume escoado pelos portos do Báltico. A demanda internacional por trigo permanece cautelosa. O Egito comprou 300 mil toneladas nas duas semanas anteriores à análise, mas as licitações continuam de menor volume. A expectativa de preços mais baixos pode adiar novas aquisições, acrescentando pressão às cotações em um ambiente de incerteza sobre a evolução do conflito no Leste Europeu e sobre a oferta disponível nos principais países exportadores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.