03/Nov/2026
A forte desvalorização do Real frente ao dólar na semana passada, que levou a moeda norte-americana ao maior patamar desde 14 de janeiro deste ano, eleva a competitividade da soja brasileira no mercado internacional e estimula o interesse de compradores estrangeiros. Como resultado, a liquidez está maior no mercado nacional, e os preços da oleaginosa operam nos patamares observados nos primeiros dias de outubro. A alta cambial interrompeu o movimento de queda das cotações domésticas, que, na maior parte do mês passado, foram pressionadas pelo avanço da semeadura no Brasil e pela maior disponibilidade de soja no Hemisfério Norte, decorrente do progresso da colheita da safra 2026/27. O interesse por negócios no spot é reforçado pelas incertezas quanto ao frete nos próximos meses, sobretudo diante das perspectivas de aumento nos preços do diesel.
Até o momento, a subvenção econômica de 2,12 Real por litro foi prorrogada por mais 30 dias pelo Ministério da Fazenda, conforme a Portaria MF nº 3.181, publicada em 27 de outubro de 2026. Em contrapartida, agentes brasileiros têm demonstrado menor interesse em contratos a termo, sobretudo para embarques em 2027. Além das incertezas sobre o frete rodoviário, as discussões relacionadas à reforma tributária têm reforçado a cautela. Por isso, parte desses agentes tem preferido manter os estoques remanescentes da safra anterior a comprometer antecipadamente volumes para entrega nos próximos meses. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de expressivos 4,2%, cotado a R$ 158,28 por saca de 60 Kg.
A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 3,6% nos últimos sete dias, a R$ 152,47 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços registram alta de 1,8% tanto no mercado de balcão (preço pago ao produtor) quanto no mercado de lotes (negociações entre empresas). Apesar da recuperação recente, as médias de outubro ficaram abaixo das de setembro: as retrações foram de 3,5% para o Indicador Paranaguá, de 3% para o Paraná, de 2% no mercado de balcão e de 2,7% no de lotes. Na comparação com outubro/25, por outro lado, os preços ficaram ais altos: em termos reais (IGP-DI de setembro), os Indicadores Paranaguá e Paraná subiram 8,6% e 8,4%, respectivamente; nos mercados de balcão e de lotes, por sua vez, as elevações foram de 12,3% e de 13,2%, em termos nominais. Os preços dos derivados também subiram nos últimos dias.
No caso do óleo de soja, a demanda aquecida elevou os prêmios de exportação ao maior patamar desde março deste ano, embora a queda no preço FOB tenha limitado a valorização no mercado nacional. Ainda assim, o preço do óleo de soja degomado (posto em São Paulo com ICMS de 12%) registra forte alta de 5,7% nos últimos sete dias, com média de R$ 7.181,55 por tonelada. Na média de outubro, as cotações avançaram apenas 0,1% em relação a setembro, mas recuaram significativos 10,1% em relação a outubro/25, em termos reais (IGP-DI de setembro). No mercado de farelo de soja, a alta é mais modesta, uma vez que parte dos consumidores está abastecida, após ter realizado compras para médio e longo prazos na primeira quinzena de outubro. Em média, as cotações do farelo apresentam alta de 0,3% nos últimos sete dias. Em outubro, os avanços foram de 1,2% em relação a setembro e de expressivos 24,9% em relação a outubro/25, em termos reais (IGP-DI de setembro).
Na Bolsa de Chicago, as cotações do complexo soja são pressionadas pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pela alta do dólar frente ao Real, o que favorece a competitividade do produto brasileiro. O contrato Nov/26 da soja em grão registra recuo de expressivos 2,7% nos últimos sete dias, a US$ 12,19 por bushel. Em outubro, o primeiro vencimento se desvalorizou 3,17% em relação a setembro, mas, no comparativo anual, acumulou alta expressiva de 22,2%, em termos nominais. Para os derivados, o vencimento Dez/26 do farelo de soja registra forte queda de 5,2% nos últimos sete dias, para US$ 362,99 por tonelada. O óleo de soja tem baixa de 1,6% no mesmo comparativo, a US$ 1.447,10 por tonelada. Entre as médias de setembro e de outubro, as baixas foram de 1% para o farelo e de 2,4% para o óleo. Nos Estados Unidos, a colheita de soja da safra 2026/27 alcançou 79% da área até o dia 25 de outubro, pouco acima da média de 77% dos últimos cinco anos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
No Brasil, as chuvas irregulares têm deixado parte dos agentes cautelosa. No Sul e no Sudeste, o excesso de precipitações, aliado à maior nebulosidade e à menor incidência de luz solar, tem gerado preocupação entre sojicultores. Ainda assim, de modo geral, a semeadura da safra 2026/27 segue mais adiantada do que na temporada anterior. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura de soja atingiu 42,8% da área estimada no País até 23 de outubro, frente a 34,8% no mesmo período do ano passado. No Centro-Oeste, Mato Grosso apresentava 75,8% da área semeada, ante 62,1% há um ano; Mato Grosso do Sul, 60%, frente a 54%; e Goiás, 41%, contra 16%. No Sudeste, a semeadura alcançava 60% da área em São Paulo, ante 45% no mesmo período de 2025, e 24,4% em Minas Gerais, frente a 11,6%. Na Região Sul, Santa Catarina somava 17,2% da área semeada, acima dos 7% de um ano antes, e o Rio Grande do Sul, 3%, frente a apenas 1%. No Paraná, por outro lado, o ritmo está mais lento: 47% da área havia sido semeada, abaixo dos 52% registrados há um ano. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.